Publicidade
Publicidade
2

Segundo reportagens publicadas pela rede BBC e pelo site do jornal Sunday Times, na última sexta-feira (25) um curandeiro tradicional da África do Sul, identificado como Nino Mbatha, se dirigiu até a estação policial [VIDEO] da cidade de Estcourt, situada na província KwaZulu-Natal, e declarou aos oficiais presentes no local que estava "cansado de comer carne humana".

De início, os agentes não acreditaram na confissão, até que Mbatha – cujo apelido na língua Zulu é "Mkhonyovu", o que pode ser traduzido como "O Corrupto" – saiu da estação e retornou com um saco de onde provinha um forte cheiro ruim, dentro do qual estavam um pé e uma mão humanos cobertos de sangue, já em estado de decomposição.

Publicidade

O curandeiro (pessoas que conduzem este tipo de prática são conhecidas na África do Sul como inyangas) foi então detido, e sob custódia levou os oficiais até a casa [VIDEO] que ele alugava há cerca de dois meses, localizada nos arredores de Rensburgdrift. Dentro da residência, os investigadores encontraram várias partes de corpos dentro de uma mala, e em uma panela localizaram oito orelhas humanas.

Suspeita-se que os restos mortais seriam consumidos por clientes pobres de Mbatha, que acreditavam que a ingestão de carne humana – possuidora de "propriedades mágicas" – lhes transmitiria riqueza, poder e proteção.

Tanto na cidade onde os homens foram detidos quanto nos vilarejos ao redor, um clima de medo e choque se espalhou pelos residentes.

Prisões e assassinato

De acordo com o Sunday Times, além de Nino Mbatha, foram presos mais quatro homens: Jobe Sithole, Khayo Lamula, Lungisani Magubane e Mgabadeli Masondo.

Publicidade

Para a polícia, os acusados cometeram pelo menos um assassinato como forma de obter carne humana, já que em meio aos restos mortais localizados na casa do curandeiro foram encontradas as roupas rasgadas e ensanguentadas de Zanele Hlatshwayo, uma mulher de 25 anos que desapareceu em julho. Os trajes foram reconhecidos pela família de Hlatshwayo, mas as autoridades estão esperando os resultados de um teste de DNA para fazer a confirmação oficial do homicídio.

Em contrapartida, ainda segundo o Sunday Times, as outras partes humanas teriam sido obtidas através da escavação de túmulos. Esta hipótese é sustentada pelo fato de que, em junho, pelo menos duas sepulturas foram abertas no Cemitério Forderville, em Estcourt, e há registro de uma cova que foi violada em um local onde são realizados enterros tradicionais africanos.

Os cinco homens detidos abriram mão de seus pedidos de fiança em uma audiência judicial ocorrida nesta segunda-feira (28), e voltarão ao tribunal no final de setembro.

Publicidade

Phepsile Maseko, membro da Organização dos Curandeiros Tradicionais da África do Sul (South Africa's Traditional Healers Organisation, ou THO), declarou à rede BBC que condena a prática de #canibalismo. Ele afirmou que assassinatos rituais e uso de carne humana não fazem parte da prática de cura tradicional, e ressaltou que as atitudes do homem conhecido como "Mkhonyovu" eram enganosas e visavam apenas enriquecimento próprio. #África #Casos criminais