Desde o dia 29 de agosto, quinta-feira, o Canadá tornou possível a seus cidadãos optarem pelo gênero neutro em seus passaportes. Essa decisão tem o objetivo de garantir a dignidade daquelas pessoas transgêneras e intersexuais [VIDEO] que não queiram se identificar nem com o masculino nem com o feminino. Assim, o indivíduo poderá escolher o registro, em seu passaporte, do "X" em vez do "F" ou "M".

Segundo o ministro da Imigração, Refugiados e Cidadania, Ahmed Hussen, essa possibilidade é parte de um avanço na igualdade para todos os canadenses, independentemente de sua expressão ou identidade de gênero. Os esforços para se promover o respeito e a dignidade a indivíduos #LGBT têm sido parte da política canadense durante o mandato do Primeiro Ministro Justin Trudeau, que nomeou, em novembro de 2016, um Conselheiro Especial para as questões LGBTQ2 (na América do Norte, a sigla inclui "Queer" - pessoas que não se encaixam em nenhuma classificação identitária fixa - e "2 spirit" - uma expressão de gênero nativo americana que identifica pessoas que têm, em si, os espíritos masculino e feminino ao mesmo tempo), Randy Boissonnault.

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Recentemente, em julho deste ano, uma lei foi aprovada para garantir proteção a sujeitos transgêneros contra qualquer tipo de discriminação por motivo de identidade ou de expressão de gênero.

O país é o primeiro no continente americano a possibilitar uma terceira identificação quanto ao gênero em documento oficial, decisão já adotada por outros 8 países no mundo: Austrália, Bangladesh, Alemanha, Índia, Malta, Nepal, Nova Zelândia e Paquistão.

Embora essa medida seja importante para proteger os direitos de todos os cidadãos de um país igualmente, infelizmente, o marcador neutro do gênero pode representar um problema para aquelas pessoas que viajam a nações que ainda coíbem pessoas LGBT por meio da lei, como a Uganda, Jamaica, Barbados, Nigéria, entre tantos outros, onde a homossexualidade é considerada crime.

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Ainda que a transgeneridade e a intersexualidade não tenham relação alguma com a orientação sexual, a visão conservadora permanece associando a expressão de gênero à sexualidade, de forma que apresentar um documento em que seu gênero não seja indicado como masculino ou feminino pode levar à perseguição institucional.

De acordo com Elen Kennedy, diretora executiva do Egale, organização em prol dos Direitos Humanos para pessoas LGBT, o ideal seria que qualquer identificação relacionada a gênero ou sexo fosse removida de documentos oficiais, a fim de evitar quaisquer tipo de constrangimentos. Contudo, a Organização de Aviação Civil Internacional exige que o campo "sexo" conste em passaportes de todos os países, o que torna a opção de identificar um gênero neutro a mais viável atualmente. #Canadá #Transgênero