Em 1973, o desconhecido diretor William Friedkin, 82 anos, saiu do anonimato e ganhou popularidade em todo o mundo ao dirigir o filme O Exorcista, considerado ícone do gênero até hoje.

Apesar do realismo da película, cuja história mostra o desenvolvimento da possessão de uma menina de 8 anos (Linda Blair, 58), ele não havia presenciado um exorcismo genuíno.

Contudo, tudo mudou ao conhecer o famoso exorcista chefe do Vaticano Gabriele Amorth, morto em setembro de 2016, aos 91. No mesmo ano, Friedkin, que sempre teve interesse no assunto, acompanhou o padre em ação.

A inusitada parceria entre o diretor hollywoodiano e o experiente exorcista resultou no documentário recém-exibido no Festival de Veneza (Itália), O Diabo e o Padre Amorth (The Devil and Father Amorth).

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Iniciado em 30 de agosto, o festival segue até 9 de setembro.

Ao apresentar o filme no popular evento, ele confidenciou não ter consultado o Vaticano. Segundo o norte-americano [VIDEO], a permissão do padre Amorth, que, no entendimento dele “procedia além das normas da Igreja”, foi suficiente para registrar os exorcismos reais.

“Se eu tivesse ido à Igreja, provavelmente não teria permissão do Vaticano”, acrescentou. Confira abaixo um trecho da apresentação:

Em entrevista exclusiva ao jornalista da revista Variety Nick Vivarelli, nesse domingo (3), Friedkin admitiu medo ao presenciar uma mulher possuída pelo demônio.

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“Foi terrível. Eu fiquei com medo do que poderia acontecer, de sentir uma grande empatia com a dor e o sofrimento desta mulher, o que é óbvio no filme”, falou.

Ele ainda salientou que aquele era o nono exorcismo enfrentado pela italiana. Explicou também que o exorcista do Vaticano fazia um ritual por mês nela. Ou seja, a possuída estava há nove meses com o diabo no corpo, literalmente.

Outra revelação curiosa sobre o documentário diz respeito ao procedimento das filmagens. William Friedkin lembra que o padre não permitia outras pessoas durante as cerimônias, nem que as luzes estivessem acesas.

Em resumo, ele teve de gravar sozinho, apenas com ajuda de uma câmera específica para captar imagens no escuro. Durante as esconjurações, o diretor acompanhava a cena de perto. “Eu estava a cerca de 2 metros de distância deles, provavelmente ainda mais perto”, recorda.

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Explicações médicas

Neurologistas, cirurgiões cerebrais e psiquiatras dos Estados Unidos disseram ao diretor que a possessão demoníaca é uma doença mental, diagnosticada na medicina como desordem de identidade dissociativa, ou transtorno de múltiplas personalidades - como era denominado anteriormente.

Os profissionais salientaram que, se um indivíduo supostamente possuído é encaminhado ao médico, eles fazem o tratamento psiquiátrico necessário. Porém, também permitem o exorcismo no intuito de acalmar o paciente e ajudar na cura da patologia - efeito placebo.

Para saber mais do trabalho e da história do padre Gabriele Amorth, veja o documentário abaixo (legendas em português).

Até o momento, The Devil and Father Amorth não tem data para estrear no Brasil.

#Bizarro #sinistro #EUA