De acordo com a rede BBC e a agência Reuters, a informação tornada pública na Islândia de que havia uma ligação entre um parente do primeiro ministro do país, Bjarni Benediktsson, e um pedófilo que abusou sexualmente [VIDEO] da própria enteada por 12 anos seguidos, levou ao colapso da coalizão de três partidos políticos que estavam governando a nação europeia há quase nove meses.

Um destes três grupos, chamado Björt Framtíð (Futuro Brilhante em português), anunciou publicamente que está deixando a aliança em função do que foi classificado como uma "grave violação de confiança", e Benediktsson afirmou que a Islândia deve realizar novas eleições o mais rápido possível – de preferência, no mês de novembro.

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A carta que derrubou o governo

No cerne de todo o abalo governamental está Benedikt Sveinsson, o pai do primeiro ministro, e tudo aconteceu porque ele escreveu secretamente uma carta em apoio ao pedófilo Hjalti Sigurjón Hauksson, pedindo que o estuprador tivesse sua "honra restabelecida".

Hauksson foi sentenciado em 2004 por abusar quase que diariamente de sua enteada desde que ela tinha apenas cinco anos de idade, sendo que as agressões sexuais continuaram até a garota completar 17 anos. O criminoso cumpriu cinco anos e meio de detenção, e devido a normas constantes na lei islandesa, ele poderia voltar a ter acesso a alguns privilégios perdidos por causa de seus atos.

O sistema penal da Islândia permite que pessoas condenadas tenham alguns de seus direitos civis restaurados – tais como permissão para se candidatar a cargos públicos e exercer a profissão de advogado – desde que três pessoas possuidoras de "bom caráter" forneçam cartas de recomendação à justiça intercedendo pelo restabelecimento legal de um indivíduo, o que pode ser considerado uma "limpeza" de cadastro criminal.

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Mantendo o autor do pedido em segredo

Inicialmente, quando a carta chegou ao poder público, Sigríður Andersen, ministra da Justiça que pertence ao partido de Bjarni Benediktsson, se recusou a informar quem havia escrito a solicitação pedindo perdão para os delitos de Hauksson. Entretanto, um comitê parlamentar decidiu que o Ministério havia ultrapassado as leis que ditam o acesso à liberdade de informação, e Andersen não teve alternativa a não ser revelar o nome do autor.

Ao saber destes fatos na quinta-feira (14), a população islandesa ficou indignada – ao ponto em que a ministra da Justiça anunciou publicamente que está preparando um projeto de lei para reformar o sistema de restauração de honra.

Benedikt Sveinsson confirmou nesta sexta-feira (15) que havia mesmo escrito uma carta de apoio a Hauksson, e pediu desculpas por providenciar a polêmica recomendação para "um velho amigo". #Pedofilia #Islandia #Europa