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Uma #investigação sobre um orfanato centenário da #Escócia, comandado por freiras católicas, levou à chocante descoberta [VIDEO] de que pelo menos 400 corpos de crianças devem estar enterrados em um túmulo coletivo não demarcado. O escândalo foi revelado através de uma investigação levada a cabo pelo programa de rádio da rede BBC chamado File on 4, e pelo jornal britânico Sunday Post, que trabalharam em conjunto.

A cova coletiva contém ossadas de crianças da instituição Smyllum Park Orphanage, que foram enterradas em uma seção do Cemitério St. Mary, ambos situados na cidade de Lanark. O orfanato foi inaugurado em 1864 e encerrou suas atividades em 1981, sendo que neste período de 117 anos, recebeu pelo menos 11.600 crianças órfãs ou provenientes de famílias desestruturadas.

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A casa de abrigo era comandada pelas freias de uma congregação chamada Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo – sociedade cristã fundada em 1633, cujas integrantes são mais conhecidas no Brasil como Vicentinas.

Moradores antigos das redondezas do orfanato já acusaram as religiosas e funcionários do Smyllum Park de maus tratos contra as crianças que estavam sob seus cuidados, os quais incluíam espancamentos, abuso psicológico e humilhações públicas. Estas alegações, inclusive, fizeram parte de uma campanha que levou à instauração da investigação batizada de Scottish Child Abuse Inquiry (Inquérito Escocês de Abuso Infantil), que ainda está em andamento.

Centenas de mortos

Os primeiros corpos infantis foram encontrados em St. Mary no ano de 2003 por Frank Docherty e Jim Kane, que viveram no orfanato e alegaram ter sofrido abusos enquanto moravam na instituição.

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O intuito de ambos, ao procurar pelas ossadas, era justamente o de encontrar provas que corroborassem as suas declarações.

A argumentação sobre os maus tratos foi refutada pelas freiras no começo deste ano, época em que afirmaram que os abusos eram um "mistério" sobre o qual não havia "nenhuma evidência".

Mesmo assim, em 2004, as Filhas da Caridade disseram que possuíam registros de que crianças do orfanato haviam sido enterradas em 158 compartimentos localizados no Cemitério St. Mary, situado a cerca de 1,6 km de distância do Smyllum Park. Entretanto, Docherty e Kane – que morreram no início deste ano – acreditavam que o número era muito maior, uma vez que os documentos em posse das religiosas mostravam indícios de estar incompletos.

Quando a BBC e o Sunday Post assumiram as investigações e tentaram obter mais informações sobre os falecidos, as freiras não forneceram dados adicionais. Então, as organizações midiáticas passaram três meses analisando certificados de óbito armazenados no escritório do Arquivo Nacional da Escócia (National Records of Scotland), localizado em Edimburgo, e encontraram 402 registros que apontavam o Smyllum Park como local de morte ou de residência fixa.

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Nestes documentos, entretanto, não existem maiores detalhes sobre as vidas das crianças. Eles contêm somente nomes, datas de nascimento e época do falecimento, sendo que entre as causas das mortes constam acidentes, desnutrição e doenças, tais como gripe e tuberculose.

As freiras que comandavam o orfanato se recusaram a conceder qualquer tipo de entrevista sobre as descobertas, mas em um comunicado, afirmaram que estão "cooperando plenamente" com o inquérito que apura o caso. Além disso, também foi dito no informe, em tradução livre:

"Nós desejamos novamente deixar claro que, como Filhas da Caridade, nossos valores são totalmente contra qualquer tipo de abuso, e assim, oferecemos as mais sinceras desculpas a qualquer um que tenha sofrido qualquer tipo de abuso enquanto estava sob os nossos cuidados".

A operação Scottish Child Abuse Inquiry terá uma segunda fase em novembro, quando serão apurados os cuidados prestados pelas freiras tanto em Smyllum Park quanto em outros quatro estabelecimentos de abrigo, também administrados pela congregação religiosa das Vicentinas escocesas. #Europa