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O Zimbábue enfrentou um dos capítulos políticos mais turbulentos de sua história nesta quarta-feira, dia 15, quando os militares [VIDEO] do país tomaram o controle dos meios de comunicação e dos principais edifícios dos poderes e serviços governamentais. Presidente do país há 37 anos, Robert Mugabe, de 93 anos de idade, está sob custódia do Exército, detido em sua residência na capital Harare. As informações foram veiculadas pelo jornal espanhol El País e pelo britânico The Guardian.

Segundo noticiado também por agências internacionais, o presidente da África do Sul, Jacob Zuma conversou com Mugabe pelo telefone e afirmou que o presidente está bem, apesar de estar impedido de deixar sua casa.

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Esposa de Mugabe e primeira-dama do país, Grace Mugabe também está sob custódia das Forças Armadas do país, que negam um golpe e afirmam que seu objetivo “é pacificar uma situação política e socialmente degenerada, a qual, se não for levada em conta, poderia resultar em um conflito violento”.

Segundo os militares, a medida – que incluiu também a presença do Exército nas principais ruas do país – é uma forma de combater os “criminosos” que, segundo as Forças Armadas, compõe o governo de Mugabe. A ação teria sido motivada após Mugabe ter afastado seu ex-vice presidente, Emmerson Mnangagwa, que deixou o cargo a mando do presidente no início deste neste mês de novembro.

De acordo com algumas publicações, existe por parte da classe política zimbabuana a crença de que Mnangagwa teria orquestrado a intervenção militar como forma de obrigar Mugabe a renunciar ao poder, nomeando-o como novo chefe de Estado.

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Segundo a rede de televisão sul-africana News24, Mugabe estaria negociando sua renúncia, que exigiria como contrapartida permitir que sua esposa Grace deixe o país. Ainda segundo a emissora, o anúncio pode ser feito na tarde desta quinta-feira, dia 16. Até o fechamento deste texto, Mugabe ainda não havia oficializado sua renúncia ao cargo.

Ainda na madrugada de terça para quarta-feira, os militares utilizaram os meios de comunicação governamentais para apresentarem uma declaração onde negam que a medida foi um golpe de Estado e afirmam que não pretendem permanecer no poder. “Assim que completarmos nossa missão, esperamos que a situação retorne à normalidade”, disse o general Sibusiso Moyo, parte do corpo de militares que assumiu o controle do governo do #Zimbábue.

Também no comunicado, Moyo convocou antigos membros do exército a “lutarem” e assegurarem “a paz, a estabilidade e a unidade” do país. Segundo a News24, o comunicado foi repetido diversas vezes nas emissoras de rádio zimbabuanas.

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Apesar da tensão que tomou conta do país, a maior parte do comércio do país funcionou normalmente, e o aeroporto – recentemente batizado de RobertMugabe, em homenagem ao presidente deposto – também funcionou. Entretanto, há notícias de que algumas explosões foram ouvidas na capital Harare durante a madrugada que resultou na intervenção militar ao governo do Zimbábue.

Segundo uma matéria veiculada pelo The Guardian, parte da população entrevistada em Harare se disse assustada, porém esperançosa de um novo começo para o país, que durante quase quatro décadas esteve sob o comando de Mugabe, acusado pela oposição de levar o país a um caos econômico e de criar um cenário de repressão política e social.

Ex-colônia britânica, o Zimbábue se tornou independente em 1980, quando Robert Mugabe assumiu como chefe de Estado. Em 1987, o antigo regime socialista do país foi transformado em um regime presidencialista, com Mugabe novamente no poder, o qual ocupou até esta quarta-feira que deve ficar marcada na história do país. #África #Geopolítica