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Se a época de Natal e o final de ano são conhecidos como um período de tranquilidade e paz, o mesmo não pode ser traduzido para o fim de 2017 dos peruanos e de seu presidente, Pedro Pablo Kuczynski [VIDEO]. Conhecido como PPK, o líder político do país tem vivido uma verdadeira avalanche nos últimos dias.

Na última semana, PPK precisou realizar acordos políticos para se salvar do impeachment [VIDEO] após a divulgação de que uma empresa da qual é sócio, a Westfield Capital, teria recebido verbas de propina da empreiteira brasileira #Odebrecht para prestar supostos serviços de consultoria financeira.

Em depoimento à Justica, representantes da Odebrecht confessaram terem contribuído com dinheiro de propina em troca de favores políticos no país, especificamente para a realização de obras de irrigação do Projeto Olmos, realizado na região desértica dos Andes.

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A Odebrecht afirma ter pago US$ 29 milhões para obter vantagens políticas no país. Em sua defesa, PPK afirma que estava afastado do gerenciamento da companhia, apontando seu ex-sócio, Geraldo Sepúlveda, como responsável pelos acordos com a empreiteira.

A notícia de que a empresa símbolo de um dos maiores escândalos de corrupção do Brasil teria agido também no #Peru e com a anuência do atual presidente e antigo ministro da Economia abalou com as estruturas do país. Para se salvar da queda, #Kuczynski precisou fazer acordos indigestos, e acabou se colocando em uma situação delicada com a esquerda e centro-esquerda do país que o apoiaram nas eleições do ano passado.

Na ocasião, PPK disputou e venceu o pleito contra Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que comandou o país de 1990 a 2000 e foi detido após escândalos de corrupções e acusações de crimes contra a humanidade.

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Para ganhar a eleição, precisou prometer ao eleitorado que não concederia indulto a Fujimori, de 79 anos, que há 12 anos cumpre pena atrás das grades.

A promessa foi quebrada no último domingo, dia 24, véspera de Natal, e o feriado que deveria ser de tranquilidade ganhou contornos dramáticos na política do país. Nesta segunda-feira de Natal, dia 25, peruanos saíram as ruas da capital Lima para protestar contra PPK, que transmitiu um comunicado pela TV explicando o indulto e chamando os crimes de Fujimori de “erros”.

Argumento que o ex-presidente já cumpriu cerca de metade da pena e que sofre de problemas de saúde, Kuczynski tentou dialogar com o eleitorado que se sentiu traído após a quebra da promessa que o levou à presidência.

"Trata-se da saúde e das possibilidades de vida de um ex-presidente do Peru que, tendo cometido excessos e erros graves, foi sentenciado e já cumpriu 12 anos de condenação", disse PPK. "Estou convencido de que, quem se sente democrata, não deve permitir que Alberto Fujimori morra na prisão.

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A justiça não é vingança", completou o presidente, pedindo aos peruanos que se unam para cicatrizar “feridas abertas”, visando unir o país nas comemorações do bicentenário da independência do Peru, em 2021.

Apesar dos pedidos, Kuczynski parece estar longe de conseguir a paz. Na votação realizada na última semana, a oposição precisava de um mínimo de 87 votos para ter seu processo de impeachment contra PPK aprovado. Conseguiu apenas 78, insuficientes para retirá-lo do cargo.

Salvo por sua base governista formada por partidos de esquerda e centro-esquerda, PPK também contou com um importante apoio de dez deputados fujimoristas do Força Popular, partido comandando por Keiko, derrotada nas eleições do ano passado. E o apoio veio de quem menos se esperava. Irmão mais novo de Keiko, o deputado Kenji Fujimori teria supostamente negociado um acordo para salvar PPK em troca do indulto a seu pai.

Apesar da informação ainda não ter sido confirmada de forma oficial, as especulações do suposto acordo político e a confirmação do indulto concedido a Fujimori neste Natal foram o estopim do fim da paz entre PPK e grande parte de seus eleitores, que já haviam se sentidos traídos após a divulgação do escândalo da Odebrecht com a Westfield Capital, e agora se revoltaram definitivamente contra o presidente, que quebrou uma de suas promessas de campanha.

Depois de se salvar do impeachment, Kuczynski terá um fim de ano bem mais atarefado do que gostaria, dividido entre a cruz e a espada da pressão popular e de parte de sua base governista e da oposição liderada por Keiko, que ainda buscará realizar manobras contra o já fragilizado governo. Os próximos capítulos podem esquentar ainda mais a situação no país, mais um dos afetados pela farra das propinas promovida pela Odebrecht.