Ninguém em sã consciência pode dizer que não ser uma espécie (homem ou mulher) bem aceita na sociedade incomoda a nós próprios, fere o nosso eu e/ou faz-nos sentir vontade de pedir desculpas para ir ao WC e..., sumir do cenário. Mas por essa abordagem? Explicarei.

No dia da abertura da COPA/2014-Brasil, no momento da abertura pode-se dizer que ocorreu um fenômeno não muito comum em solo brasileiro em relação a um representante do povo brasileiro: vaias, ou seja, várias palavras de cunho ofensivo foram pronunciadas por uma pequena, mas significativa "parcela" de um povo que, por costume, sempre consegue transformar desaforos em festas, em samba, e muita alegria.

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Mas qual foi o problema?

O problema se pode dizer, não foram as "vaias" pronunciadas por uns poucos (se considerados os milhões), mas o dito ter sido assistido/ouvido por muitos milhões de pessoas além dos limites de minha nação. Vergonha? O que importa é que os ouvidos levaram o "dito" ao cérebro e ao subconsciente das pessoas, e essas haverão de guardar para sempre mais esse sentimento de um povo acostumado a transformar "desgraça" em festa, em samba, e alegrias nem sempre explicáveis, se vistas pelos olhos dos outros povos.

Dizem que aqui se colhe o que se planta. Verdade ou mentira acredita-se que ninguém fala ao "léu-deus-dará", ou seja, filosoficamente, os lábios pronunciam aquilo que o coração sente, e os lábios de então, ao que tudo indica, não pareceram transmitir bons sentimentos e/ou considerações a quem representa o povo, mesmo nas adversidades.

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Se em um momento de alegria o povo consegue pronunciar [...], o que pronunciaria esse povo se diante uma opressão?

Quem sou ou o que sou, então, para esse povo? Essas perguntas podem ter sido feitas em silêncio segundos após o que disse o povo - seja lá o que foi dito pela minoria dos privilegiado(a)s se comparada à maioria das pessoas que por certo só sabem que algo de grande dimensão de novo está acontecendo e movendo a nação para algum lugar. Disse "de novo" porque das grandes festas (a COPA é atípica), essa se comparada ao que faz o carnaval possui muita, mas muita mais força à união dos povos, indiferente da raça, da cor, da crença e, sobretudo, do gosto de quem gosta ou aprova isso ou aquilo.

Nada ocorre por acaso. Talvez o evento ocorrido seja um indicativo de que algo precisa ser mais bem avaliado e mudado, para que ao invés de gritos de agonia ocorram aclamações, aplausos, inclusive, dentro de nós mesmos quem às vezes só acredita na fantasia de sermos os melhores na multidão, mas é preciso policiar o nosso "eu" a fim privilegiar os bons traços que podemos deixar à história. Tudo tende a uma questão de escolha.