A resposta a essa difícil pergunta, que por certo mexe com valores, crenças, esperanças, etc. das pessoas, aparentemente é difícil de ser dada, mas se o comportamento humano de quem está presente diante das alegrias e das tristezas de quem for analisado, se pode dizer que é possível chegar a uma ou mais conclusões, mas é preciso prudência com as palavras, a fim não tocar nos "dodóis", e com isso causar mais problemas do que soluções.

Recentemente um de meus amigos, coitado, foi para o beleléu e, da mesma forma que outras pessoas ficamos à sua volta. Uns choraram; uns se portaram em silêncio, mas em estado de reflexão; outros pareciam ter ficado ali simplesmente para cumprirem obrigação, enfim, das várias pessoas presentes foi possível verificar "vários" tipos de comportamento.

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E daí? Bom, quase ninguém pode dizer que nunca assistiu cenário assim. É normal isso ocorrer, principalmente nos dias de hoje onde pessoas de qualquer idade estão "embarcando" por motivos às vezes fúteis. Mas isso é ordem natural. Vir e ir é ordem natural e não há como impedir, no caso, a ida para onde ninguém deseja ir.

Relembrando o tema: "O que fazer quando um ente querido for para o beleléu?". A resposta, por mais dura e amarga que seja é "Nada!", a não ser derramar lágrimas de crocodilo durante os poucos momentos disponibilizados à visão do estiramento forçado e enfeitado, uns com flores, outros com cravos, outros sem nada. Saber disso é muito cruel, aliás, se fosse nos tempos de outrora por certo o autor desse tema seria queimado (mais um) em praça pública só por causa dessas palavras.

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Ainda bem que esse tempo passou, porque senão eu estaria...

É mais do que certo de que muitas teorias poderão ser "tecidas" sobre esse tema, mas o que fazer depois que a porta se fechar para um ente que nos é querido? O que temos de fazer é estar ao lado das pessoas enquanto elas estiverem conosco, e ofertar nossos ombros se em momentos de dificuldades e/ou tristezas, e nossa face alegre mesmo que sejam ou se revelem inimizade para conosco.

Não é difícil saber que essa ou aquela pessoa está, por exemplo, precisando de ajuda para deixar, no mínimo de usar "medicamentos/drogas indevidas"; não é difícil, sob outra ótica de visão, saber que alguém está passando necessidades/dificuldades (emprego, fome, sede de justiça, etc.) e, nada fazemos, mesmo estando a nosso lado, sendo nosso vizinho... Hipocrisia é querer derramar lágrimas, berrar aos quatro ventos o "porquê meu Deus?". Hipocrisia é querer "santificar" o ente que se foi, se talvez o que ele(a) precisava fosse apenas um momento de silêncio nosso em relação à necessidade da fala dele(a).

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Alguém se arrisca a dizer o contrário ou contradizer essas palavras? O silêncio muita das vezes também é resposta.

Assim, para encerrar esse discurso que mais está parecendo discurso de beira de [...] e/ou sermão religioso, paro por aqui essa minha humilde explicação, mas bem que poderia estender a coisa, não que esteja vivendo esse momento, mas porque é preciso, às vezes, lembrar que não podemos deixar para depois aquilo que podemos fazer agora, principalmente se em prol do bem do nosso próximo.