Revoluções servem para substituir um poder por um outro. Isso as eleições também fazem. Com ou sem derramamento de sangue, com terror ou humor, torturas ou tonturas, seja como for, as revoluções não me agradam. Se acontece uma revolução e ela é vitoriosa, rasgam-se constituições ou editam-se Atos Institucionais, suspendem-se direitos, tenta-se destruir o passado para se construir o futuro, e o presente torna-se um tormento (se é pra jogar fora o passado, então é preciso jogar fora o próprio homem que é 99% passado - não estou propondo nenhum conservadorismo desembestado, e acho que muita coisa por aí tem mais é de ser jogada no lixo o quanto antes).

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No caso das mudanças de poder através de eleições, permanece a constituição. Quem é eleito, seja de que partido for, seja homem, mulher, branco ou preto, terá de obedecer à constituição. Se se tem uma boa constituição (boa pergunta: o que é uma boa Constituição?), o país irá pelo caminho certo(?) independentemente de quem governa. Claro, há a questão do estilo e do foco, o que depende dos partidos e dos eleitos.

Mas é só quase isso o que muda: o estilo e o foco, este nem tanto ou nem nada, muitas vezes.

Nos Estados Unidos, os dois partidos que se alternam no poder são como duas faces de uma mesma moeda. Lá é bem visível esse tanto faz de quem esteja no poder, se bem que o estilo e o foco podem, também, provocar muita bagunça, muita turbulência e muitas mortes.

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Então, numa democracia, onde se decide pelo voto quem ocupará, provisoriamente, o poder, poder que está subordinado a uma constituição (que é o verdadeiro governante), para quê tanta disputa, para quê tantos partidos, para quê tantos políticos, e principalmente para quê tantos deputados, governadores, vereadores, senadores? Há de fato necessidade de se dividir uma nação em estados? Creio que se os estados fossem apenas divisões históricas, meramente geográficas, e não sessões administrativas, já seria um bom começo para melhorar as coisas por aqui. Mas aí seria necessário reescrever a constituição.

Bom, é mesmo. Que se rasgue a constituição, então.