Observando o dia a dia de vários colegas e numa investigação simplista, surgem vários pensamentos sobre a aquisição de uma profissão a partir de experiências vividas na infância ou adolescência. Numa era em que tantos jovens realizam inúmeros testes vocacionais para a escolha da tão sonhada universidade e do curso para adquirir a profissão dos sonhos, tenho visto que na realidade educacional e biológica muitos saberes, interesses e aptidões são despertados ao longo da trajetória infanto-juvenil.

Podemos citar vários filósofos e psicólogos que apoiam a Teoria Interacionista, onde a relação do sujeito com o meio podem gerar estímulos e uma organização de conhecimento que pode como resultado gerar conhecimentos, investigações e posteriores profissões. Ao refletir sobre tal tema, me veio a ressaltar que considero que a importância do contato da criança com a natureza faz-se mais que necessário devido à educação ambiental ou da percepção do meio ambiente em que se vive. 

Em debate com amigos e colegas do curso de mestrado em Agroecologia no ano de 2010, observamos que a maioria de nós nos tornamos: biólogos, agrônomos, agroecologos e educadores ambientais ou devido a experiências empíricas anteriores, vividas na infância ou adolescência ou numa curiosidade advinda de conhecimentos adquiridos e incentivados pelo meio escolar e social nos anos finais do ensino médio.

Cito o meu caso, logo cedo pela infância tive o privilégio de me ver inserida num contexto social rural e as relações que estabeleci com este meio muito posteriormente, e sem consciência ou planejamento me levaram a buscar conhecimentos naturais, biológicos e que despertaram uma curiosidade pela vida, o que hoje torna-se minha principal renda.

Qual o papel desempenhado pelo educador ao despertar interesses no educando? Promovemos vivências reais ou mergulhamos apenas no mundo virtual da pesquisa?

Notadamente existe a importância da tecnologia nas nossas vidas nos dias atuais, porém vemos jovens e crianças inseridas apenas em atividades virtuais, on lines, redes sociais, sem a percepção de brincadeiras ao ar livre, investigatórias, naturais e biológicas. Muitas brincadeiras vem perdendo espaço ao longo do tempo, e a perda não somente se faz na área lúdica como também na cultura e no social. Quando incentivamos, apresentamos e participamos de brincadeiras como: pique esconde, escaladas, balanços, corrida, andar a cavalo, pula corda, entre outras, estimulamos a parte motora, psíquica e biológica do educando, e por que não citar a vocação profissional?

Portanto, a cada dia vemos no dia a dia escolar a necessidade de uma recolocação de brincadeiras consideradas “antigas” nas atividades educacionais ou mesmo na brincadeira de bairro, em casa ou com amigos, para despertar outras visões sobre o mundo, ganho de descobertas e aptidões que possam estar encarceradas em corpos passivos/ativos num mundo ou vitrine que a tecnologia vos apresenta.

"... A  mania era desenhar estrelas, a beleza era da borboleta, o salto era do cavalo, o pé sempre no chão,  o recanto de uma mangueira cheia de frutos....horas e horas com a coruja Lia, (uma espécime de coruja suindara), ACREDITANDO que saltaria....saltei...que não cairia do balanço...balancei....e que não me machucaria.....Acreditei......é lembrar da espera pela manga madura." (Gisele Gonçalves)

#Educação #Natureza