Laguna, antiga Vila Santo Antônio dos Anjos de Laguna, fica no litoral do Estado de Santa Catarina, no Brasil. Linda cidade praiana, terra natal de Anita Garibaldi, esposa do revolucionário Giuseppe Garibaldi e também terra de um querido cidadão comum, meu pai. Foi fundada pelos portugueses na época da colonização, e por ficar exatamente onde passa a linha imaginária criada no tratado de Tordesilhas em 1949, que separou as terras de Portugal a leste e as da Espanha a oeste, tornou-se ponto geográfico estratégico para Portugal. Dona de lindíssimas praias, como as do Farol, do Mar Grosso, as de GI e Itapirubá, onde ficam as dunas, e a dos Molhes, favorita dos surfistas e local onde ocorre o maravilhoso espetáculo de entrosamento, confiança e amizade entre homens e golfinhos, no Canal dos Molhes.

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Criou-se um vinculo na pesca de tarrafa (rede circular), entre os pescadores da região e os golfinhos, que já dura mais de um século. Os pescadores já aguardam ansiosos a chegada dos amigos, que vêm de longe conduzindo os cardumes direto para as redes, principalmente os cardumes de tainha, nos meses de inverno. Os pescadores chegam a pegar de uma só vez mais de 80 tainhas. As que caem nas redes são para fartura dos pescadores, e as que sobram são banquete para os amigos golfinhos.

A paciência reina soberana neste jogo de pega-pega. Os golfinhos vêm conduzindo os cardumes e os pescadores, assim como os turistas, ficam horas e horas aguardando o sinal dos golfinhos, para descerem as tarrafas em sequência, e se fartarem com o fruto da pescaria.

O entrosamento entre eles é único no mundo, existem outros lugares onde golfinhos pescam em conjunto com os homens, a costa da Austrália e a Mauritânia, na África, mas só aqui no Brasil, em Laguna, especificamente no Canal dos Molhes, é que a "conversa" entre homem e golfinho, é de tão grande intimidade e amizade.

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Um sabe o que o outro fala, e até parece que sabe o que o outro pensa. Os pescadores os conhecem pelos nomes, sabem quem é quem, pela forma do corpo, da barbatana dorsal (galha), do jeito de pular, de ser e brincar, e eles parecem que conhecem os pescadores, talvez até quem sabe, os tenham nomeado também em sua própria língua, assim como o homem os nomeou. Entre os nomes temos:  Prego, Borrachinha, Lindinho, Figueiredo, Marusca, Riscadeira, Galha Torta, Galha Cortada, esses são de golfinhos que se  juntaram ao grupo mais recentemente, e por volta dos anos 30 já existiam os mais velhos, como o Fandango, Judeu, Chinelo, Alumínio, entre outros. O grupo cresce à cada ano e alguns dos mais velhos foram desaparecendo, talvez afastem-se quando ficam doentes ou percebam que irão morrer ( aqui já é pura especulação de minha parte).

Os pescadores conhecem o sinal para não tem peixe, lá vem o peixe, e outros tantos, não me perguntem como, mas o diálogo é constante e mostra que o ditado "a união faz a força" é a mais pura realidade, além de ensinar que homem e #Natureza devem andar em comunhão.

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Golfinhos são puros, amistosos e inteligentes, criaturas nobres e que devem ser protegidos em qualquer situação, não nos esqueçamos disto nunca. Para quem quiser assistir a este espetáculo, aproveite as férias, principalmente as de inverno, época das tainhas, e dê uma passada em Laguna, vale a pena ver ao vivo. Deixo aqui uma foto do fotógrafo lagunense Ronaldo Amboni, que já registrou as mais lindas imagens desse encontro entre homens e golfinhos. #Entretenimento