Ao abrir qualquer site ou jornal em 2013, foi possível se deparar com matérias e mais matérias contando sobre uma invasão ao Instituto Royal, na cidade de São Roque, interior de São Paulo. Nesse ano, foram destruídas pesquisas antigas, quebrados laboratórios e retiradas de lá dezenas de cães da raça Beagle e alguns coelhos. A essa ação, os ativistas dão o nome de "resgate de animais", enquanto outros chamam de vandalismo, pois o Instituto estava sendo fiscalizado devido a denúncias dos próprios ativistas, mas nunca nada de errado foi encontrado lá. Eles estavam seguindo o que a legislação mandava.

A verdade é que infelizmente, ainda se é necessário no Brasil o uso de animais para experimentos científicos.

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É graças a eles que temos acesso a tratamentos, novos medicamentos e novas vacinas. Se hoje você está vivo, se as doenças estão controladas, se um parente seu ou você mesmo foi tratado, você deve isso a animais que se submeteram a testes e tornaram possível o avanço da medicina. Na grande maioria das vezes, os animais são aqueles famosos ratos brancos de laboratório, mas em outros casos, há necessidade de se usar outro indivíduo, como os Beagles.

Não é porque eles estão sendo usados, que alguém acha bom que isso aconteça. Claro que não é agradável ter que sacrificar um ser vivo em prol do outro, mas, atualmente, essa é a maneira mais eficiente de se fazer pesquisas no país. Nos últimos anos, a legislação vem mudando muito, está acontecendo mais fiscalização por parte dos órgãos competentes e é feito o possível, para usar um menor número de animais necessários para se atingir um resultado seguro.

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O ambiente no qual eles são colocados é limpo, climatizado e adequado à sua segurança. Além, é claro, da disponibilidade de alimento balanceado e água fresca, de acordo com o ramo da pesquisa.

Há o Conselho Nacional de Experimentação Animal (Consea) que é órgão integrante do Ministério da Ciência e Tecnologia, que participa ativamente da regularização dos testes. Eles formulam normas para a utilização humanitária de animais com finalidade de ensino e pesquisa científica e estabelecem procedimentos para instalação e funcionamento de centros de criação, de biotérios e de laboratórios de experimentação animal. Segundo o ministro de Ciência e Tecnologia, Marco Antônio Raupp, em entrevista dada ao jornal do estado de São Paulo, o Estadão, no dia 23 de outubro de 2013, "O Conselho Nacional de Experimentação Animal (Consea) não registrou irregularidades na atuação do Instituto Royal", ou seja, as pesquisas estavam regularizadas e todas as normas e cuidados impostos pela legislação, estavam sendo seguidas.

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Nessa mesma entrevista o ministro falou que a ação dos ativistas foi contra as leis.

Seguem as perguntas: "Será que invadir laboratório, destruir pesquisas e sumir com os animais é o melhor a ser feito? Quanto avanço na medicina foi perdido nessa ação?"

A necessidade de se diminuir e, se possível, eliminar a prática do uso de animais em pesquisas é algo incontestável, mas não é invadindo e destruindo que isso vai acontecer. O ser humano precisa deles, não só para testes científicos, mas para dar o leite de cada dia, para colocar o bife no prato, o ovo, entre tantos outros alimentos de origem animal que estão no dia a dia, nas mesas da grande maioria dos brasileiros e possivelmente, na de alguns ativistas também. Esses animais que nos servem de alimentos, são tão vivos, sofrem, sentem tanto quanto os Beagles e os ratos de pesquisas.

Há também outros animais que trabalham para benefício humano como as cobras que liberam veneno para soro antiofídico, os cavalos que produzem o soro antiofídico para salvar vidas diariamente, entre outros, que são tão importantes quanto os Beagles e tão animais quanto eles e essenciais para a cura humana. Não são atitudes isoladas de destruição que mudarão isso. É necessária uma ampla discussão e respeito às leis vigentes no país para que algo efetivo seja feito.