Muito me espanta quando vejo na mídia que nos dias de hoje ainda são praticados atos de selvageria contra mulheres e crianças, tudo em nome de estúpidas e macabras tradições. O que dizer de homens que se esquecem que nasceram de uma mulher, que ela os criou, deu-lhes a vida, e ainda assim não têm lugar de honra em sua vida, são cidadãs de segunda classe, indignas de quaisquer sentimentos. E pior, conseguiram que as próprias mulheres sintam que precisam da mutilação para serem dignas de um respeito hipócrita dentro de suas sociedades, no mínimo doentes. No mundo inteiro, a visão de fragilidade da mulher faz com que sejam vítimas de homens machistas e ignorantes, muitas vezes o inimigo está em sua própria casa, sua própria família.

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A forma de violência mais difundida contra a mulher no mundo, é a sexual, e o medo de represália pelo autor do crime, é o motivo que leva, na maioria das vezes, a uma situação de impunidade do agressor e submissão das vítimas. Esta semana mesmo, vi um caso na internet, onde uma menina, mesmo após denunciar o seu perseguidor, não foi assistida devidamente, nem tampouco protegida pelo Estado, e acabou por ferir-se gravemente em uma das muitas agressões deferidas à ela, por seu algoz. Enquanto não forem aplicadas medidas punitivas severas e essas vítimas não tiverem acompanhamento e proteção, muitos casos continuarão ocorrendo debaixo dos olhos cegos, da dita justiça.

Em diversos países do mundo a ignorância impera contra as mulheres, não bastasse a violência cometida sem motivo, gratuitamente, por homens sem escrúpulos ou caráter, há ainda a violência com justificativa baseada em religião ou visão cultural.

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Na Índia, por exemplo, meninas em tenra idade, são obrigadas a casar com homens bem mais velhos, na maioria das vezes, realmente velhos, e submeterem-se a todo tipo de humilhação. Tratadas como objeto, muitas vezes ainda, são queimadas vivas por alguém à mando da própria família, por questões envolvendo o seu "dote", que na Índia, ainda é fator imperativo para um casamento. A família da noiva tem que "pagar" para que alguém a leve, já pensou?

Na África e no Oriente Médio, existe a pratica selvagem da mutilação feminina, onde meninas são submetidas a um tipo doentio de castração, em nome da religião, da moral e bons costumes. Muitas vezes esta mutilação acontece logo após o nascimento, outras vezes um pouco mais tarde. As próprias mães e avós cortam fora os clitóris das meninas, os pequenos e os grandes lábios. Em alguns lugares as meninas têm suas vaginas costuradas, deixando só uma pequena abertura para a urina. Tudo para que não sintam prazer e não sejam impuras, tendo pensamentos pecaminosos.

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Para essas mães e avós, que já passaram por isso e foram mutiladas quando crianças, por suas mães e avós, esta corrente sem fim é pelo bem da criança, garantirá que ela crescerá pura e não manchará o bom nome da família, sua sexualidade será oprimida de uma vez por todas.

A ONU (Organização das Nações Unidas) apresentou dados alarmantes sobre esta situação. Entre África e Oriente Médio, foram aproximadamente 135 milhões de mulheres "castradas" até hoje, e estima-se que mais 86 milhões serão sujeitas à este procedimento nos próximos anos. Ainda de acordo com a ONU, são mutiladas por dia, cerca de 6 mil mulheres nestas regiões...dá para acreditar? Em pleno século 21, ainda temos culturas atrasadas e baseadas em tradições selvagens e violentas no mundo. Dá para acreditar que nos dias de hoje, ainda temos mulheres assassinadas por terem sido violentadas? Que suas famílias passaram a vê-las como "impuras" após terem sofrido tamanha violência e culminaram esta tragédia com uma ainda maior, mandando matá-las para limpar o nome da família, por uma questão de honra? Chego a ficar abalada só de pensar em tamanha ignorância e crueldade, vinda de quem deveria lhe amparar, lhe confortar...é realmente um mundo cão este aí...

Nos resta lutar para que essas situações sejam cada vez menos vivenciadas mundo afora, e para que as crianças de hoje, sejam melhores políticos e líderes no amanhã. Que a civilidade e amor ao próximo sejam a marca registrada de um novo mundo, uma nova era.