Desde criança, de acordo com o que minha mãe dizia, minha interação com os animais era grande e latente. Fosse cachorro, grande ou pequeno, fosse gato, tartaruga, periquitos, sei lá...todos eram amigos aos meus olhos, e parece que aos olhos deles, eu também era uma figura amigável, pois nunca, repito, nunca em minha vida, sofri alguma violência proveniente de um animal, sempre confiei neles plenamente, e também sempre os respeitei, pois respeitar seu espaço é fundamental. Em minha vida, muitos animais viveram comigo, amei à todos, mas sempre há aqueles que nos marcam de uma maneira especial. Talvez porque fossem mais delicados, doentes, necessitados, carentes, não sei, mas sempre há quem fique guardado no coração de um jeito especial.

Publicidade
Publicidade

Minha primeira adoção, depois de adulta, onde o animal e seu conforto, seria de minha total responsabilidade, foi uma cachorrinha vira-latas (sem raça definida), à qual dei o nome de Xuxa, pois seu pelo era clarinho, seu focinho rosa, ela era "loira", como a Xuxa da TV. Eu a encontrei em Monte Verde-MG, onde passei umas férias, e não pude trazê-la comigo quando vim embora, mas consegui voltar dias depois e achá-la. Viveu comigo por 14 anos e até hoje acho que no final de seus dias, não fui a dona que ela merecia, pois mudei para um apartamento, com duas cachorras menores e ela, por ser maior, ficou na casa de minha mãe, onde havia um quintal. Passeava todos os dias com ela, levava ao Pet Shop, mas ainda acho que ela preferia estar em um cubículo ao meu lado...

Havia também a Mary-Poppins, uma cocker Spaniel, que comprei de um cidadão que não a merecia, pois judiava da pequena e frágil cachorrinha, e eu não pude aguentar...resultado, viveu comigo por 12 anos, chegou a ser companheira da Xuxa por alguns anos, mas foi comigo para o apartamento e acabou por morrer cega e cheia de tumores devido a idade.

Publicidade

Até hoje acho que não fui uma boa dona, pois deveria tê-la doado a alguém que pudesse ter-lhe dado mais espaço e atenção. O trabalho muitas vezes nos faz seres sem tempo para as pequenas coisas, você faz tudo correndo, até o passeio com o "cão" tem que ser correndo, e parece que a atenção dada foi pouca, você sempre poderia ter feito mais...

Nesse meio tempo apareceu no escritório onde trabalhava, uma cachorra gigante, linda e faminta. A colocamos no quintal do escritório, que não era grande o suficiente, mas pelo menos teria um lugar para ficar. Comprei uma enorme casa, o quintal foi reformado, e acabei por adotá-la como minha, mas não podia levá-la para a casa de minha mãe, já haviam os cães de meus pais e também a Xuxa em seu quintal. Durante a semana era mais fácil cuidar dela no escritório, mas nos finais de semana eu também tinha que "trabalhar" por umas horas para cuidar dela, não podia faltar e meus filhos também se empenhavam nesta tarefa. Descobri que ela sofria de convulsões, provavelmente o motivo de alguém tê-la jogado nas ruas, pois ela era muito linda, meio Labrador, meio Fila, não sei, mas foi uma mistura que deu certo.

Publicidade

Felizmente tenho o Anjo "Ilza" em minha vida, uma cliente e amiga querida, veterinária e dedicada protetora dos animais. Ela era a médica particular "gratuita" da "Suculenta" que foi o nome dado à ela. Um dia ela entrou em colapso. Quando cheguei ao escritório pela manhã, ela estava tendo uma convulsão, apesar de todos os remédios serem dados religiosamente, a Ilza estava viajando e chamei uma outra veterinária, que prontamente veio medicá-la, mas de nada adiantou e tivemos que interná-la. Por mais de 24 horas, ela lutou por sua vida, os remédios eram injetados e ela dormia, mas assim que acordava já convulsionava novamente. Foi difícil demais perdê-la, ela era especial, sem juízo, maluquinha, mas ao mesmo tempo meiga e carente demais. Gostaria de tê-la mimado mais, tê-la morando em minha casa, mas não era possível e novamente fico pensando se não foi pouco...

Hoje comigo moram a "Toffy", uma mestiça de Pitbull com o olhar mais doce que já vi. A achei jogada nas ruas, recém operada e ainda com os pontos da castração, muito magra e com as patas queimadas pelo asfalto quente. Não sei de onde veio, ou de onde fugiu, mas é minha amiga querida, muito protetora e apaixonada por crianças. Tem a "Nikita", uma gatinha preta e velhinha que morava no escritório, mas sofreu alguns episódios de envenenamento, proveniente de veneno mata-mato aplicado no terreno ao lado, o que fez com que lhe trouxesse para casa no intuito de deixá-la em segurança, e o "Teobaldo", que também tem uma história, um jabuti que veio comigo do interior do Estado, onde morei por um período, viveu com minha mãe muitos anos, os dois tinham uma conexão muito especial, hoje faz parte da família e está muito bem amparado, posso garantir.

Todos esses animais fizeram de mim uma pessoa melhor, me ensinaram que deve-se sempre ter tempo para um amigo, seja de 4 patas ou não. Quando uma boa alma precisa de ajuda, você tem que ampará-la de algum modo, um amigo que está sempre ao seu lado, deixa uma marca em seu coração, que é como tinta, não se apaga facilmente...