A campanha eleitoral tem se assemelhado em muito ao jogo infantil cujo objetivo é passar a "batata quente" ao próximo. No vaivém de temas eleitorais já passaram artistas famosos, como Lindsay Lohan, a corrupção e bolsa família, nas mãos das campanhas. Nas do candidato Aécio Neves está a batata da vez: a gestão dos recursos hídricos. Ele tem encontrado dificuldades em passá-la adiante, devido à agenda político-econômica.

O problema é o que diversos acadêmicos como Ignacy Sachs, que formulou o conceito de "eco desenvolvimento" (atualmente desenvolvimento sustentável), já vinham alertando por décadas sobre os problemas do neoliberalismo e outras formas econômicas ortodoxas.

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Elas não conseguiriam gerenciar os recursos naturais, pois estariam presas a interesses financeiros e ao crescimento do PIB a todo custo. E essa crítica acaba sendo associada aos governos de São Paulo e de Minas Gerais, mártires do neoliberalismo no Brasil, e cujas entidades estatais de abastecimento de água estiveram longe do centro das atenções.

Os governos do PSDB vêm sendo associados a uma suposta má gestão dos recursos naturais. Em São Paulo, o sistema Cantareira com cerca de 3,5% da capacidade total, é uma triste lembrança para 60% dos habitantes que, segundo o Datafolha, já sofrem com a abstinência. Em Minas, o município de Caeté na Grande BH decretou estado de emergência, com multa pesada para os esbanjadores. E a aliada Marina Silva piora a situação, pois deixou clara sua divergência com a agenda de governo de Aécio, no que tange exatamente aos recursos naturais.

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Para a respeitada integrante da Rede Sustentabilidade, existem exemplos claros da sua divergência: "é só ver o que acontece em relação à gestão dos recursos hídricos no estado de São Paulo", afirma. Minas ainda chama a atenção pelo descaso com os municípios do semiárido, que sofrem com a seca das veredas há mais de 10 anos.

Diante de recente queda das intenções de votos, o PSDB direcionou esforços para "passar a batata". Contra seus argumentos, pesa o fato de que o governo federal instalou nos últimos 12 anos, um milhão de cisternas e 815 sistemas coletivos para gerenciamento da água, distribuídos em 1.330 municípios dos estados atendidos pelo programa "Água Para Todos". Esse programa explica em parte, o fervoroso apoio dos cidadãos piauienses à campanha de Dilma Rousseff (PT) que instalou no estado, 23.400 cisternas.

Mas se ajuda à presidente, coloca pressão sobre o candidato rival: mineiros e paulistas estão sentindo na pele (ou nas gargantas?) o ponto a que Ignacy Sachs se referia: tratar de lucros sem pensar no planeta leva à riqueza financeira, mas à pobreza de recursos naturais. E o fato deixa a batata quente e assando nas mãos dos marqueteiros tucanos. Mas será que com essa falta d'água, a Lindsay Lohan se arriscaria pelo menos a cozê-las, ao invés de assá-las? #Eleições