Com mais de 4 mil mortos e 9 mil infectados, o #Ebola está assustando países do mundo todo. Espanha e EUA, dois locais considerados de "primeiro mundo", não conseguiram controlar o vírus de maneira eficaz e já tiveram a doença sendo transmitida em seus países. Diferentemente deles, o Senegal, que está longe de ser uma grande potência, teve um caso de Ebola de um doente que contraiu a doença fora do país e conseguiu controlá-la com perfeição. Hoje é considerado livre do Ebola pela OMS.

Um fato interessante e diferente entre as atitudes tomadas pela Espanha e pelos EUA foi quanto aos cães das pessoas que contraíram a doença.

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No país europeu, mesmo após protestos da população, o cão foi eutanasiado, enquanto nos EUA o outro cão de uma vítima do Ebola está sendo observado e segue em isolamento. Afinal, os cães são ou não um risco para a transmissão do Ebola? Quem agiu certo?

Relatos de cães da região na qual há epidemia de Ebola

De acordo com um relatório de 2005 que foi publicado na revista Emerging Infectious Diseases, dos Centros para o Controlo e Prevenção das Doenças dos EUA, os cães parecem ser as primeiras espécies #Animais domésticos que podem, de forma assintomática, serem infectados pelo vírus Ebola. Porém, não há qualquer descrição de que eles se tornem possíveis transmissores, ou seja, não há relatos científicos que indiquem que o vírus Ebola foi isolado ou transmitido por cães. Com isso, podemos ver que a decisão tomada pela Espanha em sacrificar o animal não teve nenhum embasamento científico e podemos chamá-la até de um tanto extremista e impensada, visto que o animal sequer foi testado para o vírus.

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Entre os anos de 2001 e 2002 houve um surto de Ebola no Gabão e como foi grave e intenso, vários cães tiveram acesso a corpos de pessoas que morreram com o vírus ou até tiveram os seus donos infectados. Eles chegaram a comer carcaças infectadas e por isso foram avaliados. Foram amostrados 439 cães para pesquisa de imunoglobulina. Os resultados obtidos sugeriram que cães podem ser infectados por vírus Ebola e que a infecção é assintomática. Os sinais clínicos não se desenvolvem em qualquer um desses cães altamente expostos durante o surto.

Acredita-se, porém, que um animal extremamente exposto possa vir a liberar o vírus por poucos dias em sua urina ou fezes. Por isso, os cães não devem ser descartados como possíveis atuantes na disseminação da doença, ou seja, atitudes de quarentena ou que impeçam que esses animais tenham contato com secreções de doentes podem também serem usadas como medida de contenção da propagação viral.

American Veterinary Medical Association (AVMA)

Os dados desse artigo foram fornecidos pela wsava.org (World Small Animal Veterinary Association) em seu site.

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"Não há casos documentados de cães que passam o vírus Ebola para as pessoas" disse Michael San Filippo, para o American Veterinary Medical Association.

Quem tiver interesse em saber mais sobre o tema pode consultar os seguintes artigos:

Review of Ebola virus infections in domestic animals. Weingartl HM, Nfon C, Kobinger G.Dev Biol (Basel). 2013;135:211-8. doi: 10.1159/000178495. Epub 2013 May 14. Review.

Dead or alive: animal sampling during Ebola hemorrhagic fever outbreaks in humans. Olson SH, Reed P, Cameron KN, Ssebide BJ, Johnson CK, Morse SS, Karesh WB, Mazet JA, Joly DO. Emerg Health Threats J. 2012;5. doi: 10.3402/ehtj.v5i0.9134. Epub 2012 Apr 30.

As informações sobre o tema ainda são escassas e os acompanhamentos, como o que está sendo feito nos EUA, precisam ser feitos para melhor conhecimento da doença e do potencial de transmissão por meio de animais de estimação.

Saiba mais sobre o vírus do Ebola e como se proteger dela clicando aqui!