Quadrilha que praticava abortos no Rio Janeiro foi desarticulada pela Polícia Civil, que fez a maior operação de combate à prática ilegal no Brasil. A organização criminosa era composta por médicos, bombeiros, advogados, policiais e até um sargento do Exército. A quadrilha se dividia em grupos que atuavam em diversos bairros da cidade com clínicas clandestinas. Os preços cobrados pelo grupo variavam de acordo com a idade da mulher e com o tempo de gestação. Se fosse maior de 18 anos em estágio inicial de gravidez, o "serviço" custava R$ 1 mil. Para adolescentes com 23 a 26 semanas de gestação, o preço era maior e chegava a custar até R$ 7,5 mil, fazendo com que a quadrilha pudesse lucrar mensalmente até R$ 300 mil.

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O histórico de algumas pessoas envolvidas no caso mostra que o "currículo" de abortos clandestinos foi iniciado na década de 1960. Uma das médicas acusadas já havia sido denunciada em 2001 por ter praticado mais de 6 mil interrompimentos de gravidez. Grupo preso pode responder pelos crimes de aborto, corrupção passiva, exercício ilegal da medicina, associação criminosa armada e associação com o tráfico.

Em agosto deste ano veio à tona o caso de Jandira Magdalena, jovem de 27 anos que fez um aborto em uma clínica clandestina de Campo Grande. O procedimento de Jandira não deu certo e a moça acabou morrendo. Seu corpo foi achado dentro de um carro carbonizado. Nove pessoas foram presas, entre elas um dos médicos citados na operação da polícia.

O caso de Jandira foi apenas um entre tantos outros milhares que acontecem por trás dos panos.

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José Mariano Beltrame, Secretário Estadual de Segurança, afirmou que o caso precisa ser discutido. "É um problema nacional. Temos de acabar com o tabu e recolocar a discussão à mesa", disse Beltrame.

A técnica do aborto ilegal é completamente invasiva e muito prejudicial à saúde da mulher, podendo provocar até a morte, como já foi falado. Mesmo assim, cerca de 850 mil mulheres procuram anualmente clínicas clandestinas para realizar o procedimento. Será que não está na hora de repensar a posição do país em relação a este assunto tão delicado? Por mais que ele queira se esconder, o aborto é um problema real que atinge a saúde pública e precisa ser solucionado para que mulheres parem de morrer clandestinamente a todo momento.