Parece que a reforma política acontecerá de qualquer forma e já temos muitas discordâncias quanto ao que será colocado em pauta para votação pública. A Presidente Dilma Rousseff fala em plebiscito e o PT já tem por certo incluir na reforma política o voto em lista e o financiamento público das campanhas eleitorais. Aécio Neves do PSDB é favorável à reforma política e defende o plebiscito também, mas diverge em outras questões, como por exemplo, o fim da reeleição.

No plano de governo de Aécio Neves defendia-se a aplicação do voto distrital misto para então, viabilizar-se o financiamento público das campanhas, além da unificação do período das eleições gerais e municipais.

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Já o presidente do Senado, Renan Calheiros, do PMDB, e o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira, defendem o referendo, contrariando Dilma Rousseff e o PT.

Esclarecendo as diferenças: no plebiscito é feita uma consulta popular para opinar sobre os temas da reforma que serão abordados pelo Congresso; no referendo, primeiro os deputados e senadores aprovam as mudanças e depois o povo é consultado se aprova ou não. No voto em lista defendido pelo PT, os eleitores votarão em uma lista proposta pelo partido e não em um único candidato e os nomes nessa lista se elegerão não na ordem em que forem votados, mas na ordem em que estiverem na lista. O financiamento público das campanhas, segundo o PT, é a forma para se acabar com o "jogo de interesses", onde a iniciativa privada financia o candidato para "lucrar" com isso.

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Muitos defendem que esse sistema só facilitará os candidatos do partido que estiver no poder e todos os outros estarão em desvantagem. Uma coisa a se pensar.

O voto distrital misto proposto por Aécio Neves é tido como "injusto". Analisando o sistema de voto distrital, onde haveriam candidatos por distrito e o mais votado seria eleito, a maioria sempre venceria no final e os candidatos das minorias ficariam de fora. No voto proporcional, onde o número de candidatos seria dividido pelo número de eleitores, ficando cada deputado com um número proporcional de eleitores, também haveria um enfraquecimento da força dos eleitores, resultando em uma pequena parcela de representatividade por candidatos da minoria. Mais uma vez, embora a minoria conseguisse alguma representação, a maioria estaria em completa vantagem com um número maior de candidatos eleitos. Pelo que entendi, o sistema de voto distrital misto é basicamente essa mistura entre o voto distrital e o voto proporcional, e muitos dizem que não dará certo no Brasil como dá na Alemanha, pois além do país ser bem menor que o Brasil, possui hegemonia populacional, cultural, história, social e economicamente.

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É um sistema complicado, ainda não o entendi direito, mas Aécio apostava nele e somente após a implantação deste sistema é que ele passaria para o financiamento público das campanhas eleitorais.

O referendo, defendido pelos "cabeças" peemedebistas, é basicamente o direito do povo de "ajustar" a norma já aprovada pelo congresso. Nele o povo não é quem decide, ele simplesmente não pode decidir, somente "tentar" acertar algo que possa estar "errado" ou em desacordo com seus interesses. Portanto, falando abertamente, se há de se ter uma reforma política, que seja através de plebiscito, onde ao final, quem decide é o povo. Quanto ao que será apresentado para que o povo vote e aprove, devemos estar atentos e perguntar, estudar mesmo, aquilo que esteja fora de nosso conhecimento. Muitas vezes as questões parecem muito simples ao ser apresentadas pelos candidatos e/ou governantes. Eles tem o conhecimento e o traquejo ao passar uma mensagem para o povo. O poder do convencimento, o carisma. Mas isso não pode ser o que nos leve a votar em uma coisa ou outra. Temos o dever de pensar antes, afinal o que for votado mudará e afetará o resto de nossas vidas e de nossos filhos e até netos. Vale lembrar que, uma marola pequenina pode transformar-se em uma onda gigantesca. Pense nisso.