O responsável pelo local determinado, general Renan Calheiros, declarou o início da luta desobedecendo ao seu regulamento existente (ou regimento, como queiram), que estatuía um maior número de presentes. Opuseram-se os adversários, um deles em tom exaltado que provocou reação do responsável. O local é o apropriado para lutas verbais, mas não com tantas armas como passou a ocorrer. Gritos guerreiros do general oposicionista Mendonça Filho, desferido da trincheira de uso comum de todos os contendores. Repreensões estratégicas e ofensivas do dirigente contra o eventual desafeto, desferidas da torre de comando, se sucederam, na famosa linguagem do entrevero verbal conhecida nessa modalidade de luta como "bate-boca", tiros cruzados, às vezes até com educados xingamentos (tratam-se os contendores de "excelência").

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Esse início não passou de um aquecimento para novos embates porque, após o confronto inesperado e entre censuras e tímida retratação, a luta foi suspensa. Luta para valer acontecerá depois.

E o que se esperava dessa luta? O #Governo programa o tema e o que espera de suas pretensões, essas conhecidas como projeto de lei (às vezes, medida provisória). Os personagens entram em peleja para definir o final feliz no interesse do público que representam, a quem costumamos chamar de povo.

Entrando na guerra, o governo desejava a mudança da redução da meta fiscal que torna obrigatório para o governo o cumprimento do superávit primário - espécie de reserva para o pagamento de juros decorrentes da dívida pública - cuja exigência está na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), ou seja, na lei que estabelece a existência registrada de recursos arrecadados e como serão legalmente aplicados, sendo obrigatório prever a reserva ou sobra.

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O governo queria diminuir o superávit porque a tendência é que as contas batam com prejuízo, não havendo sobra. Ou seja, queria (e ainda quer) a oficialização do prejuízo, criando o "superativo negativo".

O governo precisa da aprovação do Congresso para essa diminuição, senão infringirá a Lei Responsabilidade Civil que pune rigorosamente que não obedecer à exigência do superávit mencionado. Isso dá cadeia!

Daí a guerra. Gritos e xingamentos à parte, o país está dependendo do resultado de uma guerra do governo falho, de duras batalhas no Congresso, mas não pode deixar que sobre ao povo nenhuma bala perdida, mesmo de pequeno calibre...