Construída para criar mais terra para o desenvolvimento do país, a segunda Grande Muralha da China - uma imensa parede costeira que se estende ao longo de mais da metade da orla do país continental - é na realidade uma fundação para ganho financeiro. Além disso, e conforme foi noticiado pela revista "Science" em 20 de Novembro, é também um dique que "segura" uma enxurrada crescente de problemas ecológicos. Um grupo de especialistas internacionais em sustentabilidade, que inclui Jianguo Liu, diretor do Centro para Integração de Sistemas e Sustentabilidade da Universidade do Estado de Michigan (EUA), enfatiza os imensos aspectos negativos desse esforço por parte da China para alavancar sua economia, com prejuízos que extrapolam a própria China.

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A área costeira da China representa apenas 13% do seu território continental, mas responde por 60% do seu produto interno bruto. Isso atrai uma enorme quantidade de incentivos para transformar pântanos exuberantes em "locomotivas " de desenvolvimento e indústria.

Os cientistas chamam atenção para o impacto ecológico que pode não aparecer num primeiro momento. A intervenção no ecossistema costeiro ameaça milhões de pássaros, que dependem dele para os seus movimentos migratórios. Com sua abundante biodiversidade e sistemas-suporte, as terras úmidas litorâneas oferecem outros benefícios ao homem, muitas vezes subestimados, como por exemplo a absorção de poluentes e proteção contra condições climáticas extremas. O litoral produz também 28 milhões de toneladas de produtos da pesca, o que representa perto de 20% da produção mundial.

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Assim, e segundo os cientistas, a nova Grande Muralha da China deverá trazer graves consequências para a população e para os ecossistemas, não só para a China, mas para o resto do mundo. Ressaltam que, em empreendimentos desse tipo, os "serviços" prestados pelos ecossistemas devem ser levados à mesa de negociação, em prol de um futuro sustentável. Os autores observam ainda que, embora existam leis de proteção às terras costeiras, elas não têm força para se sobrepor ao apelo do lucro imediato.