Faz algum tempo que houve um movimento para a modificação da letra do Hino Nacional. A alegação era ser incompreensível em algumas partes de seu texto. Em oposição, houve manifestações contrárias, entre estas as do compositor e poeta Caetano Veloso, que, em entrevista, declarou-se apaixonado pela beleza da letra, chegando a recitá-la em parte, com regozijo. O movimento esvaziou-se logo.

Agora há um movimento que defende a simplificação ortográfica, partindo do princípio de dobrar a eficiência do ensino, aproveitando utilizar parte das aulas retiradas do ensino tradicional para aulas de leitura, interpretação de textos e criação de textos.

Publicidade
Publicidade

E a simplificação propriamente dita, aconteceria, por exemplo, na supressão do h que não se pronuncia como em "hoje" e "história" ou da eliminação de duplicidade de letras para mesmo som como em "taça" e "passado". Alegam os seus simpatizantes que modificações poderiam ser discutidas por pesquisadores, professores, estudiosos com experiência e abertas a todos as pessoas de países de língua portuguesa, sem ferir acordos ortográficos existentes, em construção de uma adaptação a uma nova didática. Chegaram a reunir 36 mil assinaturas de apoio.

Houve até um decreto publicado e, em razão dele, uma comissão do Senado realizou audiências públicas às quais os opositores não compareceram, o que provocou o adiamento das prováveis discussões até o final de 2016. Novas audiências são esperadas. Em reação ao movimento levantam-se aqueles que veem na simplificação uma deteriorização da norma culta, "uma metástase da perigosa doença do populismo".

Publicidade

Já há simplificação fonética em "tô", "tá", "tamo", "falá", "escrevê", por exemplo, que não deterioram tanto e ficam por conta da prática da fala, da linguagem coloquial, mas ferir a inteireza do idioma com quebras no seu uso, mesmo no cotidiano, é entregar às gerações de hoje e de amanhã um legado delituoso.

A questão não é simplificar, mas intensificar processos de aprendizagem, com a ajuda da tecnologia, por exemplo, de modo a transformar os delituosos do idioma em cultores preparados para vivenciar mais a qualidade no domínio do idioma. Populismo para as questões políticas não se confunde com as questões culturais. As primeiras se resolvem com leis protecionistas e permissivas, mas as segundas se resolvem com práticas de aquisição e aperfeiçoamento constantes do conhecimento, da cultura. Mas a providência urgente é evitar exatamente que o "delito" contra o idioma se transforme em lei. #Educação