Em 1888 era assinada a "Lei Áurea" pela Princesa Isabel, pondo fim à ignomia da escravidão negra no Brasil. Desde esta data já se passaram 126 anos que os negros deste país vivem uma aparente liberdade. Apenas foram retiradas as correntes dele dos seus pés e mãos, o Mourão, as chibatas, pois a escravidão se revela atualmente no gênero de bullying. O bullying é o termo utilizado para atos de violência física ou psicológica e repetidos, praticados por um indivíduo ou grupo de indivíduos, causando dor e angústia. O bullying é um problema mundial que causa dor física ou moral e deixa marcas para o resto da vida na pessoa atingida.

O preconceito racial é como o bullying, não deixa marcas das chibatadas, porém as que deixam não se apagam tão facilmente e em certas situações são irreversíveis.

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Não é possível aceitar tais atitudes vindas de uma sociedade que se auto intitula sociável. A humanidade precisa lutar contra o câncer do preconceito. Tem sido um processo lento por parte das autoridades e da sociedade tomar posição mais justa a respeito desse tema importante para o desenvolvimento de uma sociedade saudável.

Nessa semana, a Jonnie Walker, uma marca de uísque mundialmente conhecida, para homenagear o mês da consciência negra, postou uma propaganda com a imagem de um rapaz negro com uma frase em branco no rosto do rapaz, dando margens a muitas interpretações, entre elas a de mais um ato de preconceito racista. Triste escolha dos marqueteiros da citada empresa, possivelmente ele não tinha a intenção de ofender a população negra, porém um ser preconceituoso se revela até quando deseja se esconder.

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Constantemente, no Brasil alguém é excluído, agredido fisicamente e verbalmente e até sofre o cúmulo do absurdo que é ser reprovado em entrevista de emprego por causa da sua cor. Não há como negar a negligência por parte das autoridades a esse respeito. Denúncias são feitas, flagrantes também, mas ninguém jamais foi preso nesse pais pelo crime de racismo, e pela importância que vem se dando a esse crime, nunca será. Não há regras, seja criança, adolescente ou adulto. Sendo negro, qualquer um pode ser a próxima vítima a sofrer qualquer tipo de violência nas ruas do Brasil.

Ainda se perguntam se há preconceito racial atualmente no Brasil! A resposta é sim, em certas situações camufladas como um camaleão, em outras as claras, como a luz do dia! O constrangimento de uma pessoa vítima desse crime é em muitos casos irreparável, precisa-se de anos de tratamento para se reestruturar e voltar a acreditar novamente em uma sociedade acolhedora e uma #Justiça justa, que na prática não é. Uma vergonha mundialmente cancerosa, que parece sem solução, caso as autoridades competentes não apliquem punições severas aos algozes do povo negro.

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A Jonnie Walker não é a primeira empresa a supostamente declarar o seu infeliz posicionamento a esse tema, e não será a última. Por outro lado, o rapaz negro da propaganda, que certamente é modelo, não imaginou a repercussão negativa que viria a acontecer. Fica o exemplo: é preciso impor seus valores antes do dinheiro.

Acreditem, todos nós somos absolutamente iguais por dentro fisiologicamente falando. O coração de todos, independentemente de sua cor de pele, tem a mesma função, que é a de receber e bombear o sangue, então o que há de diferente nisso?

Infeliz é a pessoa que, mesmo no século 21, ainda apresente atitudes tão retógradas ao agir de forma insensata e covarde. Contudo, engana-se quem acredita que o ato de preconceito racial é exclusivo do branco para o negro, pois esse comportamento também acontece com pessoas da mesma cor, como por exemplo do negro para com o próprio negro, o que de fato é um vexame histórico e inaceitável.

A história se libertou das correntes, é verdade, mas aprisionou ao mal invisível, aquele que atinge o comportamento, a compreensão, a sensibilidade... a falta de humanismo, que é o preconceito racial. Acompanhemos a evolução e sejamos sensatos.