Há bem pouco tempo ouviu-se dizer que Campinas seria pioneira em usar a água de esgoto para o consumo da população. No dia 30 de outubro o prefeito da cidade, Jonas Donizete, juntamente com o Presidente da Sanasa e o Diretor técnico reuniram-se para resolver o problema da falta de água usando de um processo até então único no país. Seria utilizada a água de esgoto tratada para abastecimento a população. Chegou a ser anunciado que a garantia de qualidade da água seria de 99%. Mas segundo pesquisas orientadas pelo Professor Wilson de Figueiredo Jardim, da Unicamp, foram encontradas nas águas algumas substâncias que a lei não exige e portanto também não são tratadas/eliminadas.

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Com o uso da água de esgoto, mesmo com o tratamento feito, será maior a quantidade desses contaminantes.

De acordo com pesquisas feitas em 2006 e 2011, foram encontradas as seguintes substâncias: fármacos, produtos industriais e hormônios sexuais. Este último, conhecido também como interferente endócrino, pode alterar o funcionamento das glândulas de animais e de seres humanos.

O problema se agrava quando o tratamento que será dado a água de esgoto não será suficiente para a eliminação de uma série de contaminantes como o estrógeno (hormônio feminino), estradiol, progesterona e fármacos como diclofenaco, dipirona ou paracetamol, além de outros produtos químicos. Ainda que não se saiba quais os efeitos no organismo humano, para o Professor Wilson de Figueiredo Jardim não é algo com que possa ficar confortável.

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O interessante disso tudo é que essas substâncias citadas não são exigidas por lei, ou seja o tratamento é feito somente para as que a lei exige. O perigo dessas que não passam pelo crivo da lei é que elas são tão nocivas quanto as que são exigidas.

Em todas as amostras feitas nas 16 capitais foram encontradas a presença de cafeína; isso é uma informação bastante pertinente, pois a cafeína serve de traçador da eficiência das estações de tratamento de água, já que se é encontrada cafeína, há uma grande probabilidade de outras substâncias também estarem presentes. Foram encontradas concentrações de atrazina (herbicida), fenolftaleina (laxante) e triclosan (substância encontrada em produtos de higiene pessoal).

Com a estiagem e a consequente falta de água, não só o campineiro tem estado entre a cruz e a espada, pois se não armazena água não tem e se armazena sem tomar os devidos cuidados corre o perigo da proliferação dos mosquito da dengue. A solução paliativa não seria só armazenar, mas armazenar de forma consciente evitando outros males.