Sempre gostei do nome Brasil, fica até mais bonito em inglês: Brazil. Não me importaria se fosse adotado este novo nome. As pessoas protestariam, xingariam, diriam que seria uma forma de entregar-se aos americanos, que fere a soberania nacional, etc. Não faz diferença para mim, a minha preocupação é com a #Natureza. A verdadeira soberania é proteger o que é a nossa maior riqueza.

O nome Brasil vem do pau-brasil, uma madeira muito valorizada no início da colonização do país, a primeira commodities do Brasil, foi como tudo começou. Ainda quando se chamava Pindorama para os nativos, Terra de Vera Cruz e depois Terra de Santa Cruz para os portugueses, assim penso que foi uma boa escolha.

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Porém (sempre tem um porém), analisando de onde foi tirado o nome, começo a achar que traz consigo uma maldição. Primeiro por que o pau-brasil foi tão largamente explorado que praticamente foi extinto, Depois por que remete a uma commodities agrícola.

Commodities são importantes, não há duvida, mas são tão comuns que seu valor é igual para todo o mundo, retirando o peso da tal soberania nacional, o milho é o milho e a soja é a soja, e nem são daqui. São produtos básicos, exigem pouca tecnologia. Além do mais, sempre é algo retirado da terra, ao menos aqueles em que o Brasil se destaca: commodities agrícolas e minerais, e para produzi-las sempre precisamos limpar a área, ou seja, desmatar.

Assim, depois de 500 anos, estamos produzindo quase a mesma coisa e quase da mesma forma.

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Nossa indústria agoniza, seu peso na economia está em 13,3%, pouco acima de antes da chegada de Juscelino Kubitschek à presidência em 1954. Se analisarmos as exportações, então estamos muito pior, pouco exportamos e o comércio de serviços também é medíocre na pauta de exportações.

O Brasil depende cada vez mais das commodities, assim precisamos aumentar a produção de carne bovina, desmatando a Amazônia e o Cerrado. Este último praticamente não existe mais, sem falar de soja, algodão, milho, etc. Seguindo o mesmo padrão de destruição. Outros produtos são as commodities minerais. Exemplo: ferro, ouro, manganês, etc. E adivinha de onde vem a maior parte deles? É, da Amazônia.

Para cada cabeça de gado precisamos de 1,4ha. Nem podemos imaginar quantas árvores necessitamos para produzir uma cabeça de gado. Pesquisei na internet e obtive dados de 2009, no Pará, um estado brasileiro encravado na Floresta Amazônica. Haviam 16.856.561 de cabeças de gado, imagine tudo isso em uma região em que 100 anos atrás praticamente não havia gado.

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Melhor nem imaginar, os números são assustadores.

O desmatamento da Amazônia aumentou 290% de setembro de 2013 a setembro de 2014, o governo brasileiro não tem qualquer preocupação com a Amazônia, vide a teima em construir usinas hidrelétricas lá, e o pior, no caso de Belo Monte, o reservatório nem será no leito do rio, um absurdo inacreditável.

A Amazônia produz centenas de frutas e nozes, como a castanha-do-pará e o açaí por exemplo. Esses sim, produtos saudáveis com maior valor agregado, mas, não são importantes para o governo, pois não são commodities. Logo a castanha-do-pará não será mais produzida no Pará, um alimento indicado para todas as pessoas como um remédio, sendo devastado para produzir commodities.

Será que o Brasil (com s), conseguirá se livrar desta armadilha ? Será que um dia conseguiremos produzir riqueza usando inteligência, criatividade, engenhosidade ou tecnologia para produzi-la sem destruir algo ou consumir nossas riquezas naturais, estas sim, representando a soberania nacional ?

Quantas florestas teremos que destruir para importar um Iphone, ou para comprar jogos ou cds, mesmo com o valor recorde da carne bovina no mercado internacional?

Triste sina de um país que não consegue se livrar da fama de grande produtor mundial de commodities, sempre denominado o país do futuro, mas não haverá futuro para as suas florestas.

Estão em crescimento, no mundo, o comércio das commodities ambientais, os tais créditos de carbono. Espero que sobrem florestas para estes. #História