Alguém me belisca? É o mundo de Oz? A pequena Dorothy poderia caminhar pela estrada de tijolos amarelos ou pedalar tranquila pela Holanda. Nenhum mágico picareta, apenas cérebro, coração e coragem, digamos assim. Uma ciclovia que brilha no escuro é o mais novo empreendimento holandês. Na Europa, como se não bastasse à notícia de 70 mil quilômetros reservados ao trânsito de bicicletas ligando 43 países, inauguram na Holanda uma ciclovia inspirada no pintor holandês Vicent Van Gogh: um projeto a estimular (ainda mais) o uso de bicicletas.

As fotos e os vídeos divulgados pela BBC mostram o trabalho do designer idealizador, Daan Roosegaarde, que se diz influenciado pela infância. A informação é de que mais da metade dos trabalhadores holandeses usa bicicletas, de modo que espaços conservados para este meio de transporte exigem as palavras do profissional supramencionado: "Temos que ser criativos".

Sim, é o Velho Mundo. A Holanda foi parte das "cidades comerciais", Amsterdã foi centro comercial e cultural do planeta, na prefeitura tem uma estátua de Atlas representando o cosmopolitismo. Não pretendemos fazer comparações.

Urbanismo, vento nos cabelos, pesquisa e arte: fragmentos da vida contemporânea que a capital de São Paulo tenta engatinhar com o Prefeito Fernando Haddad quando este encabeça pequenas, mas significativas, mudanças. E antes que entremos na enfadonha "polarização" partidária - "oposição" ou "situação" - que "significativo" seja o resultado de uma pesquisa com mais de 80% da população paulistana a apoiar ciclovias.

Apenas quem atravessa os centros urbanos brasileiros com uma bicicleta sabe da "aventura". Há quase duas décadas eu e minha esposa cruzávamos bairros da cidade de Campinas, São Paulo, em busca do Parque Ecológico mais próximo. Porém, hoje em dia não nos arriscamos; só a sensação de eternidade da juventude permitia encarar ônibus e carros que nos jogavam à calçada ("sorte", se pensarmos nos números de "acidentes").

Finalmente, exigimos doravante ciclo faixas como Via Apia do Oiapoque ao Chuí. Adornar com Fídias. Queremos para as mountain bikes uma pista dadaísta. Botticelli ou Magritte. Minimalista. Queremos a antiguidade clássica. Pode ser do modernismo que nunca pensou em pedestre. Pode ser Segall, Pedro Américo, Eliseu Visconti, Flávio de Carvalho, Frans Post, Burle Marx.