O Instituto Datafolha realizou pesquisa na qual 93% dos participantes classificaram como péssimos, ruins ou regulares, tanto os serviços público quanto privado de saúde no Brasil. Uma das principais reclamações dos usuários do serviço público aponta para a demora no atendimento. O que será que está faltando para melhorar essa realidade?

Um dos casos de demora que resultou em morte é o da farmacêutica Ana Carolina Cassino, cuja causa do óbito, aos 23 anos de idade, foi sepse. A sepse é decorrente de infecção manifestada em todo o organismo. A jovem, casada, foi diagnosticada com suspeita de apendicite após 1 hora de entrada no hospital, devido à dores graves.

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4 horas depois foi confirmada a apendicite, mas somente 28 horas depois foi direcionada para o centro cirúrgico. Essa demora provocou a infecção.

Seu marido, o viúvo Leandro Farias, após o falecimento da esposa, indignado, criou o movimento denominado Chega de Descaso, em que trata denúncias recebidas da população e, hoje, em pleno dia do Boom do Black Friday, realiza protesto no Rio de Janeiro, no Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (CREMERJ).

Essa demora que tem acontecido nos hospitais de todo o País não se referem apenas aos hospitais públicos. Ocorre nos privados, com plano de saúde ou sem. No caso da Ana Carolina, a demora teve influência também da burocracia, pois foi necessário localizar um leito nos hospitais da Unimed, ainda por cima realizar agendamento para cirurgia e ainda somar-se com o tempo de espera e deslocamento da ambulância.

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Ou seja, a pessoa pode morrer se não for um hospital que atenda determinado plano de saúde. A cirurgia ocorreu no Hospital Unimed Barra, após mais algumas horas de espera por não possuir médico disponível.

Esse é um caso exposto por alguém ávido por justiça, melhorias na saúde e que não quer ficar de braços cruzados. Daqui a um tempo, através desse movimento, veremos quantas denúncias já ocorreram, pois se cada um perceber em seu rol de convivência com pessoas da família ou amigos, verão que quadros de infecção e descasos que ocorrem no atendimento do paciente são extremamente frequentes, seja com crianças prematuras, idosos, vítimas de acidentes, dentre outros.

Pessoas vulneráveis a sepse não podem esperar muito tempo para uma cirurgia e hoje essa é uma das principais causas de morte hospitalar tardia. Não há mais como tolerar o descaso que vem ocorrendo. É preciso que o #Governo atue em uma reforma do setor de Saúde do País. É preciso investir mais do que os 4% do PIB atuais. Isso é muito pouco. É necessário formar profissionais da área de saúde que, verdadeiramente, detenham o comprometimento assumido quando do seu juramento. Não é possível que um paciente tenha que se deslocar de uma unidade hospitalar para outra por problemas burocráticos ou meramente financeiros. Quanto vale a vida de uma pessoa? #Opinião