O ENEM foi criado com o objetivo de fazer o diagnóstico da qualidade do ensino médio ministrado no país. A partir de 1998, porém, assumiu a função de selecionar os candidatos ao ingresso no ensino de faculdades e universidades federais. Essa situação o levou a mudar a formulação das questões, por área de conhecimento e não por disciplinas como vinha acontecendo. Por ele, a utilização das notas dos candidatos tem servido para o PROUNI (em universidades particulares), financiamentos e ingresso em universidades particulares e também para a certificação da #Educação de adultos.

A grande questão está na formulação das questões por quatro áreas de conhecimento (por exemplo, "matemática e suas tecnologias"), não por disciplinas.

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Por disciplinas, o objetivo era formar nos vestibulandos um conteúdo, um montante de conhecimentos básicos com os quais tivessem condições de adquirir a formação necessária ao exercício da profissão que lhes proporcionaria o ensino acadêmico. A formulação por áreas de conhecimento, além de explorar conhecimentos adquiridos por disciplina, embora não decisivos, também explora reflexões, aproveitamento do senso crítico em temas contemporâneos, em movimentos sociais e em fenômenos naturais, explorando repertórios adquiridos. Certificam aquisições de cultura, filosofia, política e participação social, aliados à interpretação de tabelas e gráficos. Vale-se, nesse mister, do expediente de trazer para o conteúdo das provas textos pertinentes a esses conhecimentos cuja interpretação sirva de avaliação dos candidatos e a consequente pontuação.

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A redação é de especial avaliação nos dois formatos.

O problema é que é possível (e tentador) a formulação de questões com intenções doutrinárias e de ideologias dos responsáveis pela elaboração das questões. Motivo, aliás, de condenações ao último vestibular publicadas em O Globo. A de número 6, que inclui na pergunta "A orientação adotada... fundamenta uma política pública e associa o princípio da inclusão social..." E na resposta, "A) práticas de valorização igualitária". Ainda a de número 9: na pergunta aponta que "A característica do sistema político brasileiro... obtém sua legitimidade..." Dentre as possíveis respostas "A) dispersão regional do poder econômico" e "E) sustentação ideológica das desigualdades existentes". Há nesses itens exemplos de inoportuno repertório ideológico, também presentes em outras questões.

E há nas questões dos vestibulares de 2012 e 2013, pelo menos nas de números 23 e 36, respectivamente, situações idênticas. A verdade é que, nas áreas verificadas e outras, são questões que exploram conhecimentos esparsos que utilizam textos de autores, aqui e ali, de acordo com a simpatia (é o que parece) dos idealizadores das provas. Não exploram um conteúdo programático. Falta uma pergunta: O ENEM avalia realmente a competência do candidato, habilitando-a para o ensino do curso superior escolhido? Esperemos que sim. #Opinião