Que nossas leis precisam ser revistas, ninguém duvida e, duvido que exista alguém que defenda a manutenção dessa que é a base da organização de uma sociedade. A cada dia os noticiários nos mostram o quão estão defasadas, ou por que não dizer, desajustados os códigos e a utilização que se permite fazer deles. Um sujeito é condenado por assassinatos e pedofilia à prisão perpétua na longínqua Nova Zelândia e, numa fuga mais ou menos mirabolante, como é comum acontecer com os criminosos aqui no Brasil, ele escolhe fugir para onde? Para o nosso paraíso tropical onde se cultiva, com certo gáudio, a impunidade. Pego pela polícia, o criminoso não será deportado para seu país de origem se sua pena, lá em seu país, não for revista e diminuída para o máximo da pena que as nossas leis permitem.

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Ganhou o crime.

Aqui em nossas terras, no entanto, já existem criminosos dignos de entrar no hall da fama das bestas-feras de todo o mundo. Na quase pacata cidade de Garanhuns, no agreste de Pernambuco, um caso de meter medo aos maiores admiradores de Stephen King, ganha as manchetes de todos os jornais. Um trio formado por um homem e duas mulheres misturou amor, religião, frustração, liberalismo, safadeza, loucura, e todos os outros ingredientes necessários para cometer um dos mais bárbaros crimes dos últimos tempos. Mataram e comeram uma moça. Fizeram coxinhas, empadas e hambúrgueres com a carne da vítima. Há investigações, ainda, sobre as mortes de duas outras mulheres, cujas autorias são dadas como sendo do mesmo trio.

Presos e agora condenados, os assassinos comilões ganharam penas de até, ressalte-se, de até 23 anos.

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Essa não é a pena maior que nossas beneplácitas leis permitem aplicar a um criminoso. Como todo bandido também é gente... Eles terão direito a recorrer da pena e usar todos os artifícios que os advogados têm à sua disposição. Um sursis aqui, uma remissão de pena por dia de trabalho na prisão, uma detração de pena, um indulto, uma progressão de pena... E em menos de 10 anos eles estarão prontos para mais um rega-bofe humano.

Nessa hora caímos em estupefação e ficamos a perguntar se essa #Justiça foi justa, e se nossas leis precisam ser modificadas. Em todos nós corre, sem sombra de dúvidas, um sentimento de aversão a uma pena tão leve ser aplicada a um crime tão bárbaro. E não ficamos, infelizmente, somente nesse caso. Não nos foge da memória o assassinato da atriz Daniela Perez por um colega seu de trabalho, que junto com sua esposa, teve uma crise de ciúmes e tirou a vida da moça em 1992. Foi condenado somente em 1997, mas em 1999 já estava livre. Ficou sete anos preso apesar de ter sido condenado a 19 anos.

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Ou outros casos mais escandalosos ainda como o do jornalista Pimenta Neves que matou sua namorada e condenado a 19 anos, sequer ficou em reclusão por um ano.

Não é de admirar que as mentes doentias se sintam à vontade para cometer as mais insanas ações contra o próximo, uma vez que as penas, quando acontecem, são leves e fáceis de serem diminuídas. Aos criminosos, vivos, todos os direitos; às vítimas, mortas, nenhuma justiça para ser festejada. Não é uma questão de vingança. É uma questão de preservação das vidas e da estrutura de uma sociedade. É uma questão de educação arquetípica. Se não introjetarmos esses valores edificantes em nós, não os repassaremos aos nossos filhos e educandos, que se criaram com a certeza de que a Justiça é a apenas uma fonte de matéria para a #Mídia que valoriza cada ação espetacularizada com a aplicação de nossas famigeradas leis.

Só nos resta esperar por mais algumas barbáries serem noticiadas pelos nossos veículos de comunicação. Não se surpreenda com o que vier por aí. A capacidade do ser humano se superar é imensurável. E torça para não ser uma das personagens da história. #Legislação