Rodeados pelas mais diversas tecnologias em celulares, carros inteligentes, e computadores superpotentes é difícil imaginar que no mundo morrem pessoas por falta de um saneamento básico. Isso mesmo, estamos falando de água potável e banheiro. Segundo o relatório da organização de desenvolvimento internacional WaterAid, desde 2000 já morreram pelo menos 10 milhões de crianças com menos de 5 anos. E o espanto é maior quando vemos números a respeito da quantidade de pessoas que não tem acesso a um toalete ou a água devidamente tratada. A Organização Mundial de Saúde e a Unicef estimam que 35% da população mundial (cerca de 2,5 bilhões de pessoas) não tem banheiro e 1,8 bilhões bebem água contaminada.

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Mesmo diante desse quadro, Jack Sim, fundador cingapuriano da Organização Mundial do Banheiro, é otimista pois cerca de 2,3 bilhões de pessoas tiveram fontes melhores de água potável de 1990 a 2012. Uma situação que dificulta muito a diminuição do índice de mortes pela falta do acesso a toaletes é a cultura na Índia. Em muitas casas onde foram construídas toaletes ou latrinas as pessoas ainda defecam ao ar livre, pois há uma forte crença que os banheiros dentro de casa poluem o ambiente, além de os indianos terem como salutar andar bem cedo para defecar. Há um grande desafio, diz o premier indiano, Narendra Modi, pois uma grande quantidade de fezes é lançada no Rio Ganges, considerado sagrado, colocando em risco mais de 600 mil vidas todos os anos.

Como se não bastasse a proliferação de diarreia e cólera devido aos excrementos humanos e de animais ao ar livre, há também casos de estupro e de assédio, como o relatado em maio desse ano com duas jovens da cidade de Uttar Pradesh, que saíram para defecar e foram estupradas e enforcadas.

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A tática que Sim pretende usar é incutir nas pessoas que o uso do banheiro é algo que dará status, enquanto Modi promete dar prioridade à construção de banheiros ao invés de templos. Vai ser feita uma grande força-tarefa em países como Índia e África do Sul, não só no quesito de melhorias, mas também de libertar o povo de certas ideologias que nada condizem com os cuidados que qualquer pessoa deve ter. Se houve um tempo em que essa cultura foi uma forma de domínio das massas, há agora que perceber que sem povo não há rei.