Terminou de maneira confusa e polêmica a Conferência dos Direitos Fundamentais dos Povos Ciganos no Brasil. Foi realizada ontem no auditório da Universidade de Brasília. Os poucos estudantes e convidados presentes que assistiram da plateia o brado de protesto feito pelo líder dos ciganos Callóns em Brasília e no Entorno. Sr. Elias Alves da Costa acusava integrantes da própria Mesa Redonda de não serem ciganos e não representá-los perante as políticas públicas do governo federal e local.


A Conferência dos direitos fundamentais dos Povos Ciganos no Brasil foi realizada ontem pela manhã no auditório BT13-15, do Departamento de Engenharia Elétrica da Faculdade de Tecnologia da Universidade de Brasília. Tinha por objetivo apresentar relatos de inquéritos civis públicos e de casos de enfrentamento à discriminação étnica e racial com o objetivo de contribuir para a troca de conhecimentos, experiências e boas-práticas em termos de organização e da construção de políticas públicas, programas e ações de defesa dos direitos fundamentais dos povos romani (ciganos) do Brasil.


Tudo ia bem durante a fala dos senhores da composição da Mesa Redonda composta pela Prof.ª. Dra Maria Inez Montagner, Diretora DDIR/DEX/UnB; bem como de Elisa Costa, Presidente da AMSK/Brasil; José Juarez Daniel Rolim, liderança de comunidades ciganas de etnia Calon de São Paulo; Dr. Carlos Alberto de Souza e Silva Junior, Ouvidor Nacional da SEPPIR/PR; Dr. Edmundo Antonio Dias Netto Júnior, Procurador Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC/MG).


A polêmica começou quando a Mesa abriu para ouvir os relatórios dos presentes na conferência: um pequeno grupo de estudantes que assistiam da plateia, além da equipe de trabalho e jornalismo da UnBTV. Foi quando entrou no auditório um coletivo com dezenas de ciganos da etnia Callon que vivem no acampamento Arrozal nas imediações de Brasília. Liderados por Elias Alves da Costa, presidente da Associação Cigana de Brasília e Entorno, que pediu a fala logo em seguida e se dirigindo ao Dr. Edmundo Antonio Dias Netto Júnior, procurador Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC-MG), fez a denúncia contra Elisa Costa, presidente da AMSK-Brasil, de não representá-los perante as políticas públicas governamentais. O clima esquentou, houve bate-boca e troca de acusações até que os ânimos se acalmaram.


Segundo o líder cigano Elias, a AMSK, organização sem fins econômicos, de caráter organizacional, filantrópico, assistencial e promocional recreativo, educacional e científico filosófico, mais atrapalha do que ajuda ao se colocar à frente da luta do povo Callón não os informando dos eventos e se apresentando como entidade representativa do povo cigano em reuniões oficiais e projetos de governo. O problema é que em sua maioria, a comunidade Callón de Brasília luta contra o analfabetismo e para ter seus direitos reconhecidos pelas secretarias e políticas públicas governamentais. "Foi a necessidade de se estudar dentro da comunidade, devido à dificuldade do nosso povo se adaptar à escola tradicional, que fez a gente se unir e conseguir a primeira Tenda-Escola Cigana do País que já funciona em nossa comunidade desde 2012... aí vem essa senhora dizer que foi obra sua?" - relata emocionado o líder Callón. "Foi de tanto sofrer com o preconceito que a nossa comunidade lutou pela escola... essa senhora Elisa nunca foi cigana, nunca apareceu em nossa comunidade, não conhece a nossa realidade. Então não pode estar aí nesta mesa, dizendo que fez escola!" - assegurou com voz firme, o que causou um tremendo mal estar nos presentes à Conferência.


Logo a seguir veio a fala de outro membro da comunidade Callón de Brasília questionando em dialeto dos Callóns de Brasília o Sr. José Juarez Daniel Rolim, liderança de comunidades ciganas de etnia Callón de São Paulo. "Esses ciganos vivem em apartamentos... não são ciganos...", vociferava em direção ao procurador que assistia a tudo numa saia justa também pasmo com o evento. Por fim após acalmados os ânimos, o procurador abrandou a situação alegando que o momento era para celebrar a união. Logo foi encerrada a sessão, sob protestos que ecoavam aqui e ali no final do evento.
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