Em que pese o novo Guia Alimentar para a População Brasileira, recém editado pelo Ministério da Saúde, minimize a importância dos nutrientes isolados, a comunidade científica internacional segue em busca da comprovação científica dos benefícios funcionais ou de saúde que determinados nutrientes podem oferecer - ingeridos na forma isolada (suplementos) ou através do seu alimento-fonte. O ácido graxo DHA (docosohexaenóico), da família dos ômega-3, com propriedade já cientificamente reconhecida de contribuir para a manutenção de níveis saudáveis de triglicerídeos, além de evidências importantes (embora não conclusivas) de que possa contribuir para a redução do risco de doenças cardiovasculares, tem agora comprovada sua ação positiva nas funções do cérebro.

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De acordo com um "abstract" recentemente publicado pelo "EFSA Journal", o Painel de cientistas que avaliou os estudos submetidos pela DSM Nutritional Products reconheceu o papel bem estabelecido do DHA nas funções do cérebro. O cérebro em desenvolvimento acumula grandes quantidades de DHA, particularmente durante os primeiros dois anos de vida, mas também ao longo de toda a infância e mais tarde, concluindo assim que os benefícios do DHA sobre as funções do cérebro se aplicam a todas as idades.

Como resultado, a EFSA ( (European Food Safety Authority) aprovou a alegação "o DHA contribui para o desenvolvimento normal do cérebro". Para poder utilizar esta alegação no rótulo, o alimento deve fornecer 100 mg de DHA por porção, quando destinado a crianças de até 2 anos, e 250 mg por porção, quando destinado a crianças e jovens de 2 a 18 anos.

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Anteriormente a EFSA já havia reconhecido a contribuição do DHA na manutenção das funções normais do cérebro, para alimentos contendo no mínimo 250 mg de DHA por porção. A nova alegação é especialmente relevante pela ênfase que é dada à importância do DHA para as crianças desde a primeira infância.

Antes disso, a EFSA já havia aprovado as seguintes alegações para o DHA :

  • A ingestão de DHA contribui para o desenvolvimento normal da visão de bebês de até 12 meses de idade;
  • A ingestão materna de DHA contribui para o desenvolvimento normal dos olhos do feto e dos bebês sob aleitamento materno;
  • A ingestão materna de DHA contribui para o desenvolvimento normal do cérebro do feto e dos bebês sob aleitamento materno.

No Brasil, o único benefício reconhecido pela ANVISA para o DHA é o que relaciona sua ingestão com a manutenção de níveis saudáveis de triglicerídeos.

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Esse beneficio pode ser comunicado no rótulo do alimento - o que constitui "alegação de propriedade funcional" - desde que ele contenha no mínimo 100 mg de DHA por porção, ou em 100 g ou 100 ml caso a porção seja superior a essas quantidades. Peixes de água fria, como salmão, sardinha, atum, arenque, são os principais alimentos-fonte desse nutriente, que é também amplamente disponível no mercado em forma de cápsulas. Por outro lado, ainda que sem alegação de propriedade funcional, o DHA já é utilizado em muitas fórmulas infantis, o que - agora a ciência comprova - pode estar contribuindo para o desenvolvimento do cérebro das crianças. #Legislação