A polícia portuguesa prendeu o ex-primeiro-ministro socialista, José Sócrates, e outras três pessoas em uma investigação de suspeita de fraude fiscal, corrupção e lavagem de dinheiro, avançou o Gabinete do Procurador-Geral no sábado. A detenção, a primeira envolvendo um ex-primeiro-ministro de Portugal, segue as detenções de outras pessoas de destaque nos últimos meses em inquéritos separados enquanto os promotores intensificam a luta contra a corrupção num país notório por seu sistema de justiça lenta. Foi dito num comunicado que Sócrates, de 57 anos, detido na noite de sexta-feira, será levado perante um juiz penal para interrogatório no sábado sobre uma investigação às operações bancárias suspeitas e transferências de dinheiro.

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A Agência Lusa, agência de notícias oficial de Portugal, disse que a polícia prendeu Sócrates no aeroporto de Lisboa quando ele chegou do exterior. De acordo com um oficial da polícia, ele passou a noite em uma delegacia.

Sócrates renunciou ao cargo de primeiro-ministro no meio de seu segundo mandato de quatro anos, em 2011, quando uma crise da dívida o forçou a pedir um resgate internacional, que impôs dolorosa austeridade em Portugal. Não foi possível até agora contatar os representantes do partido por telefone para comentar sobre a detenção. A eleições antecipadas em 2011 levaram ao poder a atual coligação de governo de centro-direita, que introduziu várias medidas de austeridade impopulares, como aumento de impostos e cortes nos salários e pensões.

Depois de deixar o cargo, Sócrates partiu para Paris, onde frequentou um curso universitário.

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Retornou em 2013 para se tornar um comentador regular na RTP, canal estatal. Durante seu governo, Sócrates veio a sofrer de várias investigações, incluindo acusações de mau uso de sua posição como ministro do Meio Ambiente em 2002, para permitir a construção de um shopping center, Freeport. Ele negou irregularidades e não enfrentou nenhuma acusação formal.

Promotores detiveram e estão investigando várias pessoas de destaque em casos de corrupção e de fraude separados. Na semana passada, o chefe do serviço de imigração de Portugal, Manuel Palos, foi preso juntamente com vários outros funcionários sobre suspeitas de corrupção relacionadas com a emissão dos chamados "vistos de ouro" para os investidores estrangeiros ricos. O inquérito também forçou o ministro do Interior Miguel Macedo a demitir-se.

Em Julho, Ricardo Salgado, chefe da família de banqueiros Espírito Santo e ex-chefe do Banco Espírito Santo, foi nomeado como suspeito numa investigação de longa duração em lavagem de dinheiro e evasão fiscal. Sua gestão do banco, que teve que ser resgatado pelo Estado, é o alvo de um outro inquérito.