Bem parece brincadeira, mas é verdade. Depois de ganhar a causa contra a fiscal de trânsito Luciana Silva, quando no dia 13 de novembro o Juiz João Carlos de Souza Correa foi parado pela Blitz da Lei Seca, - pois seu carro estava sem placa, estava sem documentos, ele estava sem carteira de habilitação e se negou a fazer o teste do bafômetro - essa semana ele voltou a ganhar uma causa na #Justiça, só que dessa vez contra um jornal e o autor da matéria, o jornalista, Ronaldo Braga. Cabe recurso da decisão. A causa foi parar na justiça, pois o jornal havia divulgado em 2011 notícias sobre confusões em que o Juiz estaria envolvido e referentes a anos anteriores.

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Nessas confusões constava o uso irregular do giroscópio no veículo que dirigia, desentendimento com turistas em Búzios e o fato de ter dado voz de prisão a funcionários da empresa Ampla, por terem ido cortar o fornecimento de energia por falta de pagamento.

Segundo a Juíza, o fato não é a informação em si, mas como essa informação foi veiculada pelo jornal, que a seu ver usou de linguajar pejorativo e depreciativo. A notícia dizia: "Juiz dá calote e tenta prender cobrador!". Ainda que seja a função do jornal e aos olhos da imprensa seja verídico, o uso do termo foi inadequado. Essa foi a explicação para que a Juíza desse a causa a favor de Correa.

O mal estar dos brasileiros em relação aos fatos envolvendo o Juiz Correa não é pequeno, principalmente quando se vê tão descaradamente o envolvimento daqueles que foram escolhidos para representar o povo no abuso do poder.

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Seria hora de ver de perto e revisar a lei e a Constituinte? A que ponto será preciso chegar para que valores sejam novamente respeitados?

Com Direito a uma resposta ao nível da insatisfação geral, a OAB - RJ (Ordem dos Advogados do Rio de Janeiro) pediu que seja imediatamente afastado o Juiz Correa; foram feitas petições à Corregedoria do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e ao Tribunal de Justiça do Estado. Quem não gostou nada disso foi a AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), que enviou carta de repúdio da atitude da OAB, dizendo que isso foi uma atitude isolada, que afeta a moral dos magistrados bem como o aprimoramento do Judiciário Brasileiro.

Termino aqui com as palavras do saudoso Rui Barbosa: "De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra; de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantar-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto."