Nos próximos dias 22 e 23 de novembro a #Literatura e a Cultura negra vão ter destaque na Flink Sampa, evento realizado no Memorial da América Latina, em São Paulo, e com entrada franca. O evento esse ano faz uma homenagem ao Centenário de Nascimento de Carolina Maria de Jesus (1914-1977), escritora negra, exemplo de superação, que teve uma vida que contrasta com seu fenômeno literário e midiático. A autora ficou conhecida no início da década de 1960 com a publicação do livro "Quarto de despejo", obra dura e sensível, que até os dias de hoje a transformou numa poeta muito estudada nas Academias aqui do Brasil como também no exterior.


Traduzida para dezenas de idiomas (inglês, russo, japonês, romeno, entre outros), as histórias da catadora de papelão se perpetuaram em diversos gêneros literários: romances, autobiografias, memórias, poemas, o que para muitos causa estranhamento, ainda mais quando se conhece um pouco da história de vida dessa mulher que chegou a ser confundida com mendiga nas ruas da grande São Paulo.


Nascida em Sacramento, Carolina Maria de Jesus em "Quarto de despejo", revela através da técnica de diário os pormenores da vida numa favela. O livro, um relato forte e contundente, fala da fome, do abandono e da violência, o que para época despertou a curiosidade do poder público e espanto na sociedade.

A Flink Sampa contará com as participações dos escritores brasileiros Joel Rufino, Maria Gal, Audálio Dantas e Paulo Lins. Participam do circuito de debates e palestras os escritores convidados angolanos Lopito Feijóo e Isabel Ferreira e a moçambicana Paulina Chiziane, escritora negra nascida nos subúrbios de Maputo, e a primeira mulher moçambicana a publicar um romance: Balada de Amor ao Vento (1990). A grande expectativa do evento vai girar em torno do anúncio dos vencedores do 1°Concurso Flink Sampa de Literatura, que este ano se voltou para a produção de crônicas pelos alunos das escolas da capital, inspiradas pela obra inquietante de Carolina Maria de Jesus, a intelectual negra que teve sua vida marcada pela superação da miséria através da palavra.