Hoje aconteceu um fato na cidade de Porto Alegre: um cidadão segurado se atirou do último andar do prédio do INSS. Com isso faz pairar várias dúvidas sobre esse tipo de serviço, sabemos que temos direito ao auxílio doença, mas não sabemos até quando esse benefício é realmente segurado para o trabalhador.

Qual é o critério usado pelos médicos peritos? Eles têm autonomia para avaliar o estado de saúde do segurado ou existe uma tabela do INSS a seguir ignorando o estado de saúde do segurado?

Essas perguntas vieram à tona hoje pelo fato acontecido no INSS de Porto Alegre e por duas situações de alta médica por peritos do INSS do meu convívio social, nas quais não há mínimas condições laborais: um rapaz cujo o nome é Fabrício e uma senhora que se chama Mara.

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O rapaz fez cirurgia na coluna, foram colocados pinos e parafusos nas vértebras dele. Após 12 meses, o INSS simplesmente deu alta, mesmo o médico que realizou a cirurgia tendo sido bem claro que o rapaz, por ser mecânico de avião, ainda não poderia exercer a função, pois o mesmo não pode pegar peso e nem realizar forças excessivas. Aqui fica a dúvida de como a médica perita foi contrária ao pedido do médico que realizou a cirurgia. Como ela contesta todos os exames provando toda a situação? Será que os peritos são tão desumanos a ponto de não darem a devida importância? Qual critério usam para avaliar a situação do segurado? Ou realmente existe uma tabela que eles devem apenas seguir não dando a mínima para a saúde da pessoa?

A senhora que citei antes, a Mara, tem hepatite B, e devido a essa doença comprometeu o funcionamento de alguns órgãos, desenvolveu reumatismo raro e fibromialgia.

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Ela é uma simples faxineira que pagou o seu INSS a vida toda. Para sua surpresa, ao ser encaminhada pelo seu médico com laudos e exames com a requisição de repouso absoluto teve a perícia negada. O médico falou que para fazer faxina ela teria condições, ela recorreu e negaram novamente, e com isso ela entrou na justiça. Após um ano saiu a sentença que ela teria o direito de segurado atendido. Agora recentemente bloquearam o seu pagamento, e novamente, mesmo mostrando as receitas de 16 tipos de remédios diferentes que toma, negaram o auxílio doença. Começa mais uma vez um caminho longo na justiça.

Ambas as situações são de pessoas que têm família, e as mesmas provem o alimento da casa. Como o emocional dessas pessoas ficam nesses casos? Filhos a alimentar, contas a pagar, como sobreviver doentes e sem auxílio doença, um direito adquirido por pagar religiosamente o INSS todo mês?

É difícil compreender a posição de médico perito sem questionar a sua postura profissional. Será que esse senhor que se suicidou hoje no posto do INSS não teve seu seguro negado e no desespero da situação não radicalizou? Se suicidando a esposa tem a pensão! Será que foi a solução encontrada por ele? Dúvida que ficará no ar para sempre.

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Acredito que o INSS precisa urgentemente passar por uma reforma e aprender a respeitar o seu segurado e honrar com o compromisso assumido. E os médicos peritos são os primeiros a terem que passar por uma reciclagem e tomar a frente de tanta injustiça. Há muitas pessoas sofrendo com essa triste realidade. #Trabalho