Tem mulher pelada correndo nas ruas em protesto contra o governo. Na atual circunstância, os genitais aparecem clamando ao pudor como interseção sociopolítica. Três mulheres na cidade de Porto Alegre se manifestaram nuas em apenas onze dias, numa progressão otimista teríamos em um ano quase cem gaúchas à revolução nudista. Mas o pecado original é uma instituição sólida. Para a apreensão de uma delas houve a participação de cinco policiais.

Difícil é saber como medir a eficácia. Nunca nos organizamos nus em escala massiva, nacional. Talvez seja a solução. Não é preciso dizer que as fantasias vestidas no cotidiano não avalizam "moral", não tem terno e nem gravata, não tem batina e nem túnica que já não estejam expostas às vistas.

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Uma pena que os paulistas não possam sair pelados em protestos. Há cidades em que sequer tem água para descarga. Seria uma covardia. O nordeste exigiria separação, "cabras fedorentos", cartas à ONU garantindo que nada "cheira mal".

Uma parte elege a bancada mais conservadora da história, a outra corre sem roupa, porém não é essa a "divisão ideológica", não é "ideológica". Há uma quantidade de notícias falsas que ultrapassa a abstração da fé pública. Há sites de notícias sendo falsificados e não há uma instituição a cobrar. A internet no Brasil se transformou nos últimos meses numa "guerra dos mundos" que faria Orson Welles se envergonhar, não assustaria criança.

Mulheres (e homens) nuas podem se manifestar. Ao redor do mundo o Guinness Book contabiliza ações "curiosas" e, digamos, sem recato: mais de cem pessoas nuas em uma montanha russa na Inglaterra, milhares a nadar peladas nos Estados Unidos, sem contar os pelados de eventos esportivos com suas bundas pelas quadras e estádios do planeta.

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Nas palavras de H. L. Mencken, "Imoralidade é a moralidade daqueles que estão se divertindo mais do que nós". O resto são farrapos e tapa-sexo das comunicações. Podem guardar os policiais, eles não têm acesso aos lugares em que são necessários. Pelados e peladas, uni-vos. #Curiosidades