Em recente pesquisa divulgada no último dia 31 de outubro, pelo IBGE, relativo ao avanço da #Educação na última década no Brasil, ainda chega a ser estarrecedor: o número de mulheres negras analfabetas chega a ser o dobro se comparada com as mulheres que se declararam brancas e pardas, segundo o Instituto. Embora muito se tenha avançado no Brasil na luta contra o analfabetismo nos últimos dez anos, e a taxa durante esse tempo tenha caído vertiginosamente, devido a pressão interna do mercado de trabalho e as exigências internacionais, o país ainda continua a ocupar os últimos lugares no ranking, segundo a avaliação internacional PISA. Em relação ao IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), o país ficou com média abaixo de 6, que é a exigida pela Unesco.


Num retrospecto simples, podemos notar que a taxa de analfabetismo no Brasil em 2000 era 12,9% das mulheres brasileiras acima dos 15 anos e caiu agora para 9,1%. Entre as mulheres brancas que responderam à pesquisa, o índice, que antes era de 8,6%, desceu para 5,8%. Já as mulheres negras avaliadas pela pesquisa, o número que antes era de 22,2%, agora é de 14%, revelando um patamar de 8,2 pontos percentuais acima das brancas. As mulheres que se declararam pardas e que antes chegavam a 17,9%, hoje se refletem em 12,1%.


Ainda segundo a pesquisa do IBGE, a alfabetização das mulheres negras serviu também para minorar a desigualdade de gênero, já que os homens negros, que antes eram de 20,9%, passaram para 14,2%, registrando uma pequena baixa em relação às mulheres negras. Vendo mais a fundo alguns detalhes da pesquisa, podemos observar que entre as mulheres de maior faixa etária, até 30 anos, registram taxa quase duas vezes menor que a dos homens, com 1,9%, contra 3,6% deles. Quando analisado por regiões, o analfabetismo na região Nordeste é o mais alta, com 16,9%, acompanhada da região Norte com 10,3%, o Sul com 5,4%, o Sudeste com 5,7% e o Centro-Oeste com 6,9%.


Vale ressaltar que políticas públicas desenvolvidas pelo governo federal, estados e municípios muito têm contribuído para a redução desses índices. Programas como DF-Alfabetizado em parceria com o governo federal, como o programa Brasil Alfabetizado, têm servido como paliativo para maquiar índices que na verdade revelam a injustiça histórica e social praticada não só na última década, mas também nos últimos séculos. Se por um lado é cada vez maior o avanço na queda do analfabetismo primário, por outro cresce e é cada vez mais preocupante entre os alunos das séries finais do Ensino Médio a taxa de analfabetismo funcional. Não é raro encontrar-se aqui e ali pessoas formadas, com nível superior, mas que estrangulam a gramática, ou mesmo que se comportam acima do bem e do mal como se fossem verdadeiros cavalos-diplomados.

No Brasil do contraste e das desigualdades que estão a cada dia ficando mais para trás, há de se questionar ainda a qualidade dessa Educação, já que o item quantidade ainda é maior, e embora perverso ainda prevalece com suas demandas.