Em 1835, foi ali, em Porto Alegre, que eclodiu a Revolução que manteve a província do Rio Grande do Sul, durante 10 anos, independente do Império Brasileiro e que tentou estender às demais províncias uma república federativa, tendo entre seus combatentes aliados aquele que seria posteriormente o unificador da Itália, Giuseppe Garibaldi. Foi dali que, em 1930, partiram as forças de Getúlio Vargas para derrubar a Velha República, corrupta e anacrônica e estabelecer o Estado Novo, que modernizou o Brasil. Em 1961, aquartelado no Palácio do Governo, o governador Leonel Brizola impediu que um golpe militar solapasse o regime democrático brasileiro. Em 2001, foi ali também que aconteceu o I Fórum Social Mundial, de âmbito planetário, que vem se contrapondo ao Fórum Econômico Mundial (Conferência dos Países Ricos), realizado anualmente em janeiro, em Davos, na Suíça. Em 2013 o jornal norte-americano The New York Times apontou Porto Alegre e Natal como as pioneiras das grandes manifestações que se alastrariam pelo Brasil inteiro em junho daquele ano. Em Porto Alegre o episódio inicial foi chamado de a Guerra dos Vinte Centavos, pois as manifestações inicialmente se opunham ao aumento deste valor nas passagens de ônibus urbanos.

Agora, embora de fraca intensidade, um movimento dos inconformados com os resultados das recentes #Eleições foi às ruas de Porto Alegre para pedir o impeachment da presidente Dilma.

O estado do Rio Grande do Sul, cuja capital é Porto Alegre, fica no extremo sul do Brasil e é um estado sui generis e combativo. Seu povo, o Gaúcho, foi forjado na Planície do Pampa, que se estende dali até a Argentina e Uruguai. As fronteiras do Rio Grande foram mantidas para o Brasil a ferro e fogo, em combates com os povos de colonização espanhola. Daí a forte participação política dos gaúchos, que resultou em 6 presidentes da república e com a participação afetiva de Dilma Roussef que, embora nascida em outro estado, tem toda sua vida política, domicilio eleitoral e família centrados em Porto Alegre. 
A presente manifestação porém, não tem nada de democrática. Trata-se de um mecanismo sobejamente usado para desestabilizar um regime através de apelos à moralização, à democratização ou contra más condições de vida do país.

Em 1945, após participarem da II Guerra Mundial, ali fortemente influenciados pelos militares norte-americanos, os oficiais brasileiros, ao chegarem ao Brasil, usaram sua condição de heróis para exigirem a renúncia do ditador Getúlio Vargas. Este se auto-exilou e voltou em 1951 através de maciça votação, à Presidência da República. Em 1954, sob pretexto de denunciar escândalos do governo Vargas, o jornal Tribuna de Imprensa bombardeou Vargas incessantemente, que acabou se suicidando e criando-se com isso uma ameaça à continuidade do regime democrático. Em 1964, o povo foi instigado a sair às ruas para protestar contra a inflação de preços e contra a ameaça de instalação de um regime comunista, o que propiciou clima para o Golpe Militar que perdurou por 21 anos.

Os protestos atuais questionam os escândalos de membros do partido da Presidente e tentam envolvê-la nas responsabilidades, apesar de ter sido ela quem mais pugnou pela livre investigação e punição, quando cabível, dos culpados. Na verdade os instigadores dos protestos querem é desestabilizar o Governo Brasileiro, que segue tendo uma postura independente e influente no cenário internacional, sendo também uma pedra no sapato dos poderosos grupos concorrentes do comércio internacional, fortemente interessados em ter livre acesso aos excelentes recursos de águas subterrâneas, do petróleo da camada pré-sal e outros recursos abundantes no país, hoje firmemente protegidos por um governo forte e nacionalista.

Em resumo, muitas vezes, à guisa de protestar em prol da moralidade, lisura democrática ou contra más condições dos serviços públicos, os mentores dessas manifestações usam os motivos apenas como pretextos para alcançar os objetivos antidemocráticos e desonestos de alterar a ordem estabelecida e "virar a mesa", para atender a interesses escusos e uma vez no poder, implantam situações bem piores para o povo e para os interesses nacionais, desconsiderando completamente a motivação inicial que gerou os protestos populares.