O forró nunca há de morrer nem mesmo perder a sua originalidade devido a grandes nomes que fizeram desse estilo a história de um povo. Há de estar sempre presente no sangue, gravado na raiz de todos os brasileiros que se identificam ou têm alguma ligação com esse ritmo contagiante. São versos que contam saudades, que expressam dores e tristezas, mas também nos falam de humor, irreverência, e um toque doce saudável de malícia. Nomes que fazem desse som e dessa dança a verdadeira magia do Nordeste e sertão brasileiro encantar todo o país. Esses formam um cartel, mas quem em momentos-surpresa como assim é a vida, acabam partindo, nos deixando, é claro, com saudades, mas deixam seus nomes e suas histórias marcadas em uma rica herança de versos e melodias que incitarão novas gerações e jamais serão esquecidos.

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Nomes esses como o de Luiz Gonzaga, ou como é mais conhecido, Mestre Lula - O Rei do Baião, Marines, (Rainha do Xaxado), Zinho, (Mestre do Forró), Dominguinhos, (Sucessor de Gonzagão), recentemente o cantor e compositor Rogério, (autor da #Música Sergipe é o país do forró), e agora Clemilda, (Rainha do Forró).

Clemilda Ferreira da Silva, natural de Alagoas, era viúva de Gerson Filho, o tocador de fole dos oito baixos. Ela o conheceu em um programa de rádio. Em atividade desde o ano de 1965, adotou Sergipe como sua terra de coração, e os sergipanos também lhe adotaram de braços abertos. Participou de vários programas em diversas emissoras, sendo alguns deles Chacrinha, Sílvio Santos, Os Trapalhões, Hebe e Xuxa. Ganhou dois discos de ouro no Clube do Bolinha e no Cassino do Chacrinha, além de mais um disco de platina.

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Recebeu ainda diversas premiações e homenagens, como no Fórum do Forró, em Aracaju. Sua história e suas músicas sempre estiveram vinculadas aos diversos meios de comunicação. Uma de suas últimas participações nacionalmente foi no programa São João do Nordeste, pela Rede Globo em 2012, apresentado por Chico Pinheiro, no qual convidados, incluindo a rainha, homenagearam Luiz Gonzaga. Clemilda era sempre presença confirmada também no Forró Caju, hoje a maior festa do estado de Sergipe e entre os maiores festejos juninos do Nordeste, além de ser sem dúvida um dos melhores do País. Sergipe soube valoriza-la: há alguns anos a cantora já apresentava um programa local pela TV e rádio Aperipe, chamado Forró no Asfalto, e a Prefeitura de Aracaju já havia colocado o nome de um arraial montado durante os festejos juninos na festa do Forró Caju como Barracão da Clemilda.

Sua discografia é formada por mais de vinte discos, além de participações e sucessos que serão sempre tocados, como: Forró Cheiroso (Talco no salão), Coitadinha da Tonheta, A cantiga da doida (Eu quero é KH), Vamos comer jacá, Prenda o Tadeu, e muitos outros.

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Clemilda morreu aos 78 anos em virtude de complicações pulmonares. Ela estava internada há cinco meses, mas já vinha sofrendo complicações a algum período. Seu corpo foi velado na Osaf, e logo depois partiu em cortejo com o seu caixão levado pelo caminhão do Corpo de Bombeiros. Fãs e admiradores pararam para despedirem-se. Centenas de pessoas entre familiares, autoridades, músicos e fãs se fizeram presentes no cemitério São João Batista para darem adeus à cantora.

Como foi falado de sua participação no programa São João do Nordeste, Clemilda lembrou com carinho de quando conviveu com Gonzaga. A vida em nova morada dá a alegria desse reencontro : A Rainha do Forró com O Rei do Baião.