Ainda é grande a quantidade de homens que resistem a uma ida ao médico. É impressionante o número de indivíduos que não vão ao médico alegando que não precisam ir. O problema é que quando percebem que precisam, já é tarde demais. Quando é para fugir da consulta médica, não existe área da saúde que seja a principal. Seja uma dor de cabeça, um enjoo, uma tontura, um incômodo qualquer, seja na parte muscular, esquelética, ou visceral, nenhum desses sintomas tem força suficiente para encaminhar um homem à procura de consulta médica.

Medo, desconhecimento, vergonha, falta de tempo ou de importância... O que não faltam são motivos para justificar o não ir de hoje e dizer a esfarrapada desculpa "amanhã eu vou".

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É notório que a saúde masculina ainda não é prioridade das políticas de saúde, e isso faz com que milhares de homens cheguem a óbito por causas facilmente controláveis e até curáveis, caso sejam tratadas a tempo.

E a questão não é somente em relação aos problemas da glândula responsável pela produção do sêmen, a ilustre desconhecida e muito falada próstata, responsável pelo segundo maior índice de morte por câncer no Brasil. O primeiro, é o de pele, fácil de ser percebido e que não causa tanto constrangimento para ser avaliado. E nem assim os médicos são procurados.

Desde pequenos, os meninos são criados com a falsa informação de que "homem que é homem não chora"; não sente dor; não pede ajuda e outras besteiras que vão, ao longo do tempo, separando o homem dos cuidados consigo próprio.

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Depois de criarem o outubro rosa, que visa chamar a atenção das mulheres para o câncer de mama, resolveram criar o novembro azul para dar visibilidade aos homens, da importância de procurarem um serviço médico, principalmente para fazer avaliação das condições da próstata. Foi uma ação do Instituto Lado a Lado pela Vida aqui no Brasil.

É importante saber que de cada 10 homens, 9 terão alteração na próstata com o aumentar da idade. Essas alterações não serão necessariamente malignas, mas como saber sem fazer os exames?

Por isso, nesse mês de novembro, a mídia está cheia de notícias sobre ações que alertam os homens sobre o problema. Um jogo de futebol com veteranos (por que não fazer com os jogos dos campeonatos profissionais, alertando também os jovens, desde já?), uma feira de saúde na praça principal da cidade; palestras em empresas, etc. Mas é certo, de nada adianta todo esse trabalho se cada homem não fizer a sua parte e cuidar de sua saúde. Geralmente eles cobram do outro esse cuidado e, o que é pior, de uma maneira jocosa, aumentando o preconceito que envolve o exame.

Preferem oferecer o pescoço à morte a correrem o risco de ter uma alteração qualquer descoberta em sua próstata.

Enquanto esse pensamento vigorar nas cabeças de nossa sociedade - de homens e mulheres, diga-se, - muita gente ainda vai morrer por motivo torpe. No atestado de óbito deveria constar: Ignorância.