Você acorda determinado. Tem seus afazeres diários, mas encontra um precioso tempinho para se deslocar até a lotérica mais próxima, enfrentar uma boa fila, perder seu precioso tempo e fazer aquela fezinha que vai lhe garantir a realização de todos os seus mais egoísticos sonhos, onde o céu será o limite. Isso tudo, claro, se você não for um matemático. Caso contrário, certamente saberia que as chances de uma pessoa acertar na Mega Sena - a principal loteria brasileira-, apostando apenas uma cartela simples é de uma em cinquenta milhões, sessenta e três mil, oitocentos e sessenta, o que corresponde a ínfimos 0,000002% de probabilidade estatística em ser o próximo felizardo ganhador da loteria.

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Mas o que leva a imensa leva de brasileiros a sair de sua casa sabendo que suas chances são praticamente nulas em sairem-se vencedores e, mesmo assim, persistirem, aposta após aposta? Fé? Crendice? Mandinga? Esperança? Pura tolice? Diversão? Ou simplesmente vício? Talvez uma mistura de tudo isso?

Um cético observador diria que tal prática é característica de um povo ignaro, emotivo e levado a paixões mundanas e fúteis. Talvez. Mas e quando elas funcionam? Hein, como assim?

Foi exatamente o que ocorreu agora quando um dos ganhadores do sorteio de número 1.655 da Mega Sena resgatou o prêmio de R$ 67.657.559,48, no Paraná. Ele apostou apenas um único e mísero bilhete, pagando apenas os R$ 2,50 necessários para tanto e ganhou. Desafiando todas as probabilidades estatísticas, contrariando a lógica matemática, simplesmente usurpou os 99,999998% que diziam que ele não tinha chance alguma de ser o vencedor.

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Sua simplicidade em acreditar no inacreditável fez dele um megamilionário da noite para o dia, dando uma bela banana a todo o sistema.

E agora, José. O que dizer? Simples. Matematicamente improvável, mas não impossível. Os 0,000002% são surreais, mas ainda assim, estão no páreo. Não vão ocorrer sempre, mas... sorte daquele que for o contemplado da vez!

Esse é o fascínio que faz com que o sujeito, que sabe que é carta fora do baralho, saia de casa para tentar a sorte grande. O "não" ele já conhece, dia após dia. Mas ele conta é com o danado do "sim", esse sim arredio que sempre foge de seu alcance, mas persistente que é, um dia ele pega de jeito. Como aquele cavalo bravo que ninguém amansa ou aquela dama que ninguém conquista. Aquele bilhetinho em sua mão é mais que um bilhete. Pode ser sua chave. A chave de ouro... #Opinião