Cerca de um milhão de pessoas, segundo o Grupo Arco-Íris, organizador do evento, compareceram à orla de Copacabana, na tarde de ontem (domingo, 16), para participar da 19.ª Parada do Orgulho LGBT. Os participantes, no entanto, foram surpreendidos por episódios de violência, manifestada por agressões e roubos, apesar da segurança realizada por homens da Polícia Militar e agentes particulares contratados para o evento. O desfile partiu da concentração, às 15 horas, no Posto Cinco, e seguiu em direção ao Copacabana Palace, conduzido por carros de som que arrastaram a multidão irreverente e colorida. Na abertura do evento, o deputado estadual Carlos Minc (PT, RJ) convocou o povo a "ir às ruas, pedindo mais liberdade e amor, para dar uma resposta aos reacionários e conservadores".

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Segundo Carlos Tufvesson, coordenador da Subsecretaria da Diversidade Sexual do Rio, a intolerância sexual é um dos problemas crônicos que afetam a sociedade brasileira: "Temos que mostrar que ninguém precisa ser gay para lutar contra a homofobia. É uma questão de direitos humanos. E, como tal, deve estar acima de ideologia e orientação sexual", afirmou. Para Avelino Fortuna, 59 anos, pai do jornalista Lucas Fortuna, assassinado aos 28 anos por ser gay assumido e usar saias como forma de protesto, sair às ruas em protesto só não basta: "Não quero ver ninguém passar pelo que meu filho sofreu. Enquanto a homofobia não for criminalizada, isso não vai mudar", desabafou, visivelmente emocionado.

O quadro de insegurança começou a se mostrar, antes mesmo da abertura do desfile, ainda na concentração.

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Os bandidos, muitos deles menores de idade, agiam em grupo, abordando as pessoas, com emprego de violência, e roubavam celulares, carteiras, óculos, cordões e relógios. Rapazes maiores foram vistos organizando as ações, agrupando menores em torno deles e dando ordens. Segundo a Polícia Militar, cerca de 47 pessoas foram presas e conduzidas para a 12.ª DP, em Copacabana. Os menores apreendidos foram embarcados em duas vans e encaminhados para o órgão especializado.

Reivindicações

O tumulto gerado pela ação dos bandidos não conseguiu ofuscar o brilho - e bota brilho nisso - da 19.ª Parada do Orgulho LGBT. Apesar da arruaça, que por várias vezes interrompeu os discursos, os militantes conseguiram dar o seu recado, reivindicando a criminalização da homofobia, o direito ao casamento igualitário e pedindo o apoio das famílias. Quanto a este último tema, ressaltaram que o casamento civil de pessoas do mesmo sexo visa, justamente, a valorização da instituição familiar, por meio da segurança patrimonial, e assegurar os direitos dos cônjuges e dos filhos, adotados ou não.

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No entender dos defensores da causa homossexual, não faz sentido o discurso homofóbico por parte de alguns parlamentares e liderança religiosas, pretendendo que o chamado casamento gay seria contrário à família.

Embora festeira em sua realização, "carnavalizada", segundo alguns, a Parada tenta cumprir seu objetivo maior: reivindicar do Poder Público políticas de longo prazo para a população LGBT, bem como leis federais que assegurem os direitos dessa minoria.