Quinta-feira, dia 20 de novembro de 2014, o mundo indubitavelmente perdeu um grande empreendedor: Samuel Klein. Ele faleceu de insuficiência respiratória no Hospital Albert Einstein, aos 91 anos.

Samuel era polonês e judeu. Sua trajetória de vida sofreu muitos percalços traumáticos, porém Samuel Klein era, sobretudo, um homem determinado e alegre. Quem convivia com ele dizia que ele era dono de um carisma e simpatia contagiantes, e que sempre preocupou-se em atender as classes sociais menos favorecidas.

Começou a trabalhar ainda jovem como marceneiro, auxiliando um tio na Polônia. Tudo ia relativamente bem até que sua família foi levada pelos nazistas.

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A família foi separada, sendo que Samuel e seu pai foram levados para um campo de concentração e a mãe e os irmãos foram levados para outro.

Durante a caminhada de 50 quilômetros que os prisioneiros judeus tiveram que fazer a pé, Samuel Klein conseguiu se esconder, entrando pouco a pouco em um trigal. Passou a noite nessa plantação, segundo contou. Quando acordou, Samuel encontrou-se com polacos cristãos que também haviam fugido e esses o abrigaram.

Quando conseguiu voltar à sua antiga casa, ela estava completamente em ruínas. Ainda assim permaneceu por um pouco de tempo na Polônia trabalhando em uma fazenda em troca de comida.

Com o final da Segunda Guerra Mundial, Samuel conseguiu encontrar-se com os irmãos e com seu pai. Conheceu sua esposa e resolveu sair da Europa com ela e o filho.

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Tentou um visto para os Estados Unidos, porém não o conseguiu. Decidiu então ir para a Bolívia. Esse país passava por um processo intrincado, prestes a ter uma revolução. Foi aí que lembrou-se de uma tia que vivia no Rio de Janeiro e finalmente chegou ao Brasil.

Samuel estabeleceu-se em São Caetano do Sul, cidade do Grande ABC paulista. Começou a trabalhar como vendedor ambulante. Com um feeling nato para vendas, percebeu na migração de nordestinos um nicho com o qual poderia se estabelecer, pois nessa época o comércio preocupava-se mais em atender às classes sociais mais altas. Começou então a vender cobertores baratos para muitos baianos que vieram tentar melhorar de vida em São Paulo. Com sua simpatia, logo foi conquistando muitos clientes. Passou então a comercializar roupas de cama em geral.

Logo Samuel Klein conseguiu abrir sua primeira loja, denominada Casa Bahia, em homenagem aos seus fregueses. Quando eles não conseguiam pagar as compras de uma vez só, ele as parcelava, modus operandi que foi mantido em seu comércio até hoje.

Hoje em dia, são mais de 560 unidades das Casas Bahia, que também é o maior depósito de distribuição da América Latina.

 Samuel disse uma vez: Temos que amar o país em que vivemos. A palavra crise não existe no meu dicionário.

Samuel Klein foi velado e sepultado no Cemitério Israelita do Butantã. #Negócios #Trabalho