Nesta quinta-feira, 13, em Garanhuns, Pernambuco, três canibais começaram a ser julgados pelo frio assassinato de duas mulheres com posterior esquartejamento e mais o consumo de carne humana. Espera-se que por esta barbárie sejam condenados a 33 anos de prisão cada um. Em 2013, no Brasil, uma pessoa foi assassinada a cada 10 minutos; isso perfaz 51000 mortes no ano. A polícia brasileira matou em 5 anos o que a americana levou 3 décadas para alcançar, 11 mil mortes. O número alarmante de suicídios preocupa especialistas.

Todas estas terríveis notícias retratam a realidade do nosso país em relação à segurança pública e individual. Que relação podemos fazer disso com a saúde mental da população? Nenhuma ou pouca, dependendo do interesse que move o analista. Mas se quisermos mesmo ir a fundo nesta investigação e decifrar sem meias palavras o quanto de esquizofrenia existe por trás dos altíssimos índices de criminalidade do país, teremos obrigatoriamente que questionar o quanto de debilidade mental existe sorrateiramente entre nossos parentes, conhecidos, amigos, vizinhos e pessoas à nossa volta que consideramos absolutamente normais; até fazemos piadinhas quando alguns se comportam de formas bizarras, maníacas ou de alguma maneira fora do convencional ou daquilo que se espera de qualquer pessoa em iguais circunstâncias. Seja numa desavença qualquer dentro de casa ou entre vizinhos, seja numa briga de trânsito, a personalidade é revelada e muito do que mostra é ignorado. Todos acham mais cômodo taxar a pessoa de estressada, excêntrica, borderline, bi-polar, portadora de transtorno obsessivo compulsivo, do que suspeitar de algum grau de esquizofrenia, só por que é nossa conhecida e já nos acostumamos com suas manias e modos de agir/reagir. Em minha vida já fui surpreendido duas vezes por saber que um amigo com que deixei de ter contato durante alguns anos, ficou louco e foi internado. Um deles era gerente das Lojas Cem e depois Casas Bahia, excelente profissional e amigo.

Nosso sistema de saúde não disponibiliza nem mesmo médicos de clínica geral, quanto mais psicólogos e psiquiatras. Donde se conclui que se a saúde física é deficiente para a população, imagine então a saúde mental? Devemos buscar interessar especialistas no debate e estudo desta matéria para reduzir os altos níveis de criminalidade do Brasil.