Que o comércio rende para quem sabe fazê-lo não é mistério para ninguém. Desde a mais remota antiguidade os homens desenvolveram o escambo, o toma isso e me dá aquilo. Com pedras, galhos, bichos ou o que fosse necessário, sempre tinha alguém pronto para o negócio. As civilizações apareceram, evoluíram, caíram em desgraça, ruíram e outras apareceram, porém o comércio continuou o mesmo, dando lucros a quem o fazia.

Nas guerras o interesse era também pelas pessoas. Tornava-se escravo aquele que perdia a guerra. E a força humana de #Trabalho sempre foi uma das mercadorias preferidas pelos comerciantes. Desde que o mundo é mundo se negocia com gente. Às vezes legalmente como o futebol faz, por exemplo. Quase todo mundo ganha: quem compra, quem vende, os torcedores e a própria mercadoria, que é o jogador.

Há também as ilegais. E assim como no futebol, descobre-se que o Brasil é um dos expoentes em exportação de mão-de-obra ilegal. Escravas e escravos sexuais. Gente de toda cor, idade e crença. Talvez a nossa cultura escravocrata ainda esteja viva, afinal fomos um dos últimos países do mundo a abolir a escravatura.

Diferenças existem, é claro, entre o comércio feito hoje e o de antigamente.

Antes se procurava a força de trabalho, braços para a lavoura e cozinha. Por isso, navios vinham carregados de negros. Hoje se procura a força do prazer. Quem procura são alguns pervertidos, que não se abstêm de gastar seu dinheiro comprando esse prazer. Milhares de moças são aliciadas por comerciantes profissionais, mentirosos audazes que prometem um mundo de alegrias e riquezas no exterior. Elas vão encher mais um “navio negreiro” voador. A aeronave se dirige para a Europa carregada com nossas meninas, tolas, que para fugir da miséria e da falta de perspectivas de vida, embarcam numa viagem suicida, na qual perderão a honra, a dignidade e a liberdade.

Assim como a escravidão de 200 anos atrás, ricos negociantes têm poder e dinheiro para manter esse tráfico. Há muitos benefícios paralelos ao comércio, por isso é difícil enfrentar a batalha, mas pergunta-se: Há interesse? Será tão difícil assim controlar a circulação de pessoas nos aeroportos, para evitar a saída dessas pessoas?

Anos atrás a Empresa Brasileira de Turismo divulgava no exterior a imagem do Brasil com fotos e filmes de futebol, praias (e muitas mulheres na praia), e Carnaval (e muitas mulheres no Carnaval). A mulher brasileira era mostrada como a mais bela do mundo, a mais quente, a mais sensual. Enfim, a melhor mercadoria, quero dizer a melhor companheira que se podia ter. Venha e compre-a. E os estrangeiros vieram, e continuam vindo. Hoje eles levam nossas moças para o resto do mundo, especialmente para Europa, não porque elas valham alguma coisa, muito pelo contrário; são mão-de-obra baratíssima e pernas de obras deliciosas, que renderão auspiciosos lucros aos seus feitores.

Será que poderemos reverter este quadro e, além de defender nossas moças e nossa população, prover a essas meninas uma oportunidade de vida mais digna?

Classificar o problema como social é fácil, mas é ineficiente. Antes de tudo é problema de polícia, de política e econômico. Cadeia para quem merece. E estrutura para que a polícia consiga trabalhar e prender esses bandidos, onde quer que eles trabalhem. Aqui no Brasil ou no exterior. #Educação