Acidente de trânsito interrompe por dois dias o tráfego de metrôs entre Recife, Jaboatão e Camaragibe. Infelizmente, mesmo com todas as campanhas educativas, fiscalizatórias e punitivas, ainda é muito comum encontrarmos motoristas sob o efeito de substâncias psicoativas na direção de veículos, e o álcool é o detentor da primazia desses casos. "Uma cervejinha a mais, e eu saio. Vamos brindar a saideira." - quem nunca viveu essa situação que jogue a primeira pedra. Quem nunca se levantou da mesa e foi dirigir, jogue a segunda.

Para quem acha que isso não é problema "dos outros", mas só de quem comete essa irregularidade, aqui vai um exemplo que chega a chocar, tamanha consequência deflagrada por um "simples" acidente de trânsito.

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O motorista, que mostrava sinais de embriaguez, foi recolhido à prisão, mas, somos forçados a reconhecer que isso pode não ter sido o motivo do desastre. Uma subida na calçada em uma ponte urbana, ou como chamamos um viaduto, que passa por cima dos trilhos do metrô. Derrubado o muro de contenção, esse caiu sobre a fiação que energiza os trens. Este é o retrato do acidente. O motorista saiu ileso, ninguém atropelado na calçada, ninguém atingido pelos destroços caídos na linha férrea. Mas esse foi apenas o começo de uma tragédia urbana e que atingiu a Região Metropolitana do Recife no domingo, 09 de novembro de 2014, no final da madrugada.

Os trens do metrô que ligam três cidades da Região Metropolitana do Recife, impedidos de circular, deixaram na mão, ou melhor, a pé, mais de 270 mil usuários.

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Atenção especial para o dia, que não era um domingo qualquer, pois era o segundo dia de provas do ENEM. Agravante da situação é que no outro dia, uma segunda-feira, as linhas férreas ainda estavam fechadas, à espera de conserto da fiação elétrica, para liberação do tráfego das composições do metrô. O que podia ser um simples encontro com amigos na mesa de um bar, transformou-se num contratempo imensurável para três cidades que ficaram sem esse transporte coletivo. Felizmente nenhuma morte ou ferimento foram registrados no acidente, somente prejuízos materiais.

Mas, lá no fundo, fica um gosto amargo na goela de todos nós, porque somos todos responsáveis por acidentes como esse. Somos nós que usamos nossa tecnologia de bolso para avisar aos amigos onde a polícia está fazendo blitz da "Lei Seca" nas madrugadas. Somos nós que não censuramos quando um amigo embriagado resolve pegar a direção. Somos nós que aceitamos viajar como passageiros em veículos conduzidos por gente sem a mínima condição de fazê-lo.

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Somos nós que achamos que qualquer "troco" para o policial vai livrar nossa cara na hora do flagra. Somos nós que, ainda, dizemos que o "troco" é para uma cervejinha...

Se somos assim, que fazer então? Abrir a boca para dizer que beber muito ou pouco não é da conta de ninguém. Afinal que mal pode fazer uma cervejinha? Ou será que temos condição de nos reconhecer necessitados de mudança em nosso modo de pensar e agir? Esse foi apenas um fragmento de um dia de uma de nossas cidades. Tão pouca coisa... Mas um cisco no olho nos impede de continuar vendo bem. É bom cuidar de nossa visão.