O desmatamento na floresta amazônica caiu 18% nos últimos 12 meses, caindo para o segundo nível mais baixo em um quarto de século, disse a ministra do Meio Ambiente do Brasil, na quarta-feira passada. Izabella Teixeira disse aos participantes em uma entrevista coletiva que 4.848 quilômetros quadrados da floresta foram destruídos entre agosto de 2013 e julho de 2014.

Os números caíram de 5.891 quilômetros quadrados, contabilizadas durante o mesmo período do ano anterior, na sequência da adoção de um projeto de lei controverso, de revisão do Código Florestal. A medida, que foi aprovada em 2012, depois de um esforço de mais de uma década pelo poderoso lobby agrícola do Brasil, principalmente diminuiu as restrições para os proprietários de terras com propriedades menores, permitindo-lhes limpar a terra perto das margens dos rios.

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Os valores mais baixos de quarta-feira foram uma surpresa, porque muitos grupos ambientalistas vinham avisando de um segundo pico consecutivo nos números anuais de desmatamento, visto que a floresta continua a ser demolida para dar lugar a pastagens para criação de gado, plantações de soja e extração de madeira. A ministra insistiu que os números foram precisos.

Marco Lentini, engenheiro florestal e coordenador do programa Amazônia da organização ambiental WWF - Brasil, chamou o anúncio "uma boa notícia", acrescentando: "Nós fomos surpreendidos." De todos os estados, o Pará foi o que mais desmatou a Amazônia, com 1.829 km² de vegetação perdida.

"A principal mensagem é ok, é bom: o Brasil vem avançando", disse ele, embora ele advertiu: "Não quer dizer que problema do desmatamento está terminado." "Ainda estamos muito longe desse objetivo de ter desmatamento mínimo", disse Lentini, referindo-se à promessa do Brasil para reduzir o desmatamento de 3.900 quilômetros quadrados por ano até 2020.

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De acordo com o INPE, responsável pelo levantamento, o valor mais baixo de desmatamento registrado no Brasil desde 1988, quando o país começou a usar satélites para monitorar a floresta, veio em 2012, quando foram registados 4.571 quilômetros quadrados.

Além de ser o lar de cerca de um terço da biodiversidade do planeta, a Amazônia é considerada uma das defesas naturais mais importantes do mundo contra o aquecimento global por causa de sua capacidade de absorver grandes quantidades de dióxido de carbono. A clareira da floresta tropical é responsável por cerca de 75% das emissões brasileiras, à medida que a vegetação é queimada e árvores derrubadas apodrecem.

A Amazônia se estende por 6,1 milhões de quilômetros quadrados, sendo mais de 60% dentro das fronteiras do Brasil. #Natureza