Desde 2008, o Brasil ganhou o lugar de maior consumidor de agrotóxicos de todo o mundo. O consumo de agrotóxicos - principalmente de forma exagerada - divide opiniões. Há quem o considere um 'mal necessário', enquanto há os que pregam por uma produção agrícola mais consciente, sem a necessidade de adição de aditivos químicos nos alimentos.

Independente de todas as controvérsias, já há exemplos concretos no mundo de fazendas que se livraram de vez do uso de agrotóxicos e produzem apenas alimentos orgânicos, mais saudáveis para a saúde humana. E amanhã, dia 3 de dezembro, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) convocou às ruas brasileiros de diversas cidades, de Porto Alegre a Belém, para se mobilizarem no Dia Internacional de Luta Contra os Agrotóxicos.

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Nas ruas, todos os manifestantes irão denunciar à população todos os danos e males causados pelo modelo agrícola que é hoje adotado pelo Brasil e sua Bancada Ruralista, e que tende a continuar da mesma forma e até se intensificar com a nomeação de Kátia Abreu, feita pela presidente reeleita Dilma Rousseff. Os manifestantes também irão exigir um maior estímulo à agroecologia, nome do tipo de produção de alimentos saudáveis e seguros.

Até 2008, os Estados Unidos eram o país que mais consumia agrotóxicos, mas desde então o posto foi tomado pelo Brasil. Desde esse ano, são despejados mais de 1 bilhão de toneladas do veneno todos os anos. Essa quantia não contabiliza usos fitossanitário e doméstico. Cada brasileiro consome uma média de 5,2 litros de agrotóxicos por ano. Os danos à saúde desse consumo exagerado ainda estão sendo estudados, embora já haja estudos que os relacionem com Alzheimer, abortos, câncer, alterações somáticas, neurológicas e más formações congênitas.

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Na contramão de boa parte do mundo, que busca formas mais sustentáveis de produção, o Brasil estimula esse setor, que só tende a crescer cada vez mais. Para estimular, o governo brasileiro oferece 60% de isenção de ICMS entre os agrotóxicos, além de isenção total em alguns casos em COFINS, IPI e PIS/PASEP.

A mobilização irá reivindicar a proibição da pulverização aérea que é feita de forma ineficiente, já que atinge apenas 30% do alvo - essa proibição já é realidade na União Europeia. Também irá pedir o banimento de diversos agrotóxicos que já são proibidos em outros lugares do mundo. Entre os 50 mais utilizados na agricultura brasileira, 22 já são proibidos na União Europeia. E também irão pedir o fim da isenção de impostos e criação de áreas propícias para o desenvolvimento de agroecologia, livres de transgênicos e agrotóxicos para evitar contaminação.