Mais uma vez o Projeto de Lei 36/2014 de flexibilização da meta fiscal estará em votação, será hoje às 18 horas. Da primeira vez, há poucos dias atrás, não houve quórum para sua votação. Hoje, no entanto, o governo espera pela votação e aprovação da medida, pois vem negociando com a base aliada, que aproveitou-se da situação, para exigir e barganhar cargos e favores. A oposição, ao contrário do que o governo quer, parece que se imporá para que o projeto não seja aprovado. Se for aprovado, ficará claro que senadores e deputados da base aliada do governo, estão unidos em prol de favores políticos e não em prol do povo, como certamente deveria estar.

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O governo tenta apresentar desculpas, das mais variadas e até tocantes, para o descumprimento da meta fiscal e da Lei de Diretrizes Orçamentárias. Diz que a arrecadação foi menor e os gastos aumentaram, diz que entre as desonerações estão as folhas de pagamento de gastos com empregados para reduzir custos das empresas, gerando e mantendo empregos, diz que "extrapolou" porque trabalhava para estimular a economia...até parece um amontoado de lamúrias de quem não pôde pagar o credor, porque mais uma vez gastou demais, pois não tem planejamento algum.

Mas, como disse a senadora Ana Amélia (PP/RS) em matéria da Agência Brasil: "Não podemos, ao sabor do vento ou ao sabor do desejo do governo, alterar a lei para que ela possa ser cumprida conforme o interesse particular ou o chamado casuísmo, que acontece agora." Ela disse ainda que: "é um risco muito sério que afeta um dos pilares da questão econômica, que é a credibilidade.

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Não é essa a visão de um país sério, de um país comprometido com o cumprimento daquilo que foi escrito pelo Congresso e sancionado pelo governo."

Se o governo não conseguir que a meta fiscal seja alterada, a Presidente poderá ser acusada de ter cometido crime de responsabilidade fiscal e ser processada por isso. Mas, ao que tudo indica, a base aliada que é maioria, se fará notar e após ter conquistado o que pleiteou em troca de votos, aprovará a tão falada mudança da meta fiscal, dando à Presidente a anistia desejada. Afinal, condicionar o aumento de aproximadamente R$ 2 bilhões para gasto em diversos ministérios e reservar desse valor R$ 444 milhões para gasto com as emendas dos senadores e deputados, à aprovação da mudança da meta fiscal, com certeza foi o "incentivo" que faltava para os que estavam "indecisos". E é claro, colocar essa condição em edição extraordinária do Diário Oficial da União, foi mais uma vez só uma amostra do que esse governo faz para não deixar o "poder", pois como disse o ex-Presidente Lula durante campanha eleitoral da Presidente à reeleição: "Eles não sabem do que nós seremos capazes de fazer, democraticamente, para fazer com que você seja nossa presidenta por mais quatro anos nesse país"...não sabíamos mesmo, mas estamos aprendendo. #Opinião